
(fundada em 28 de julho de 1992)
*Página produzida pela equipe do jornal Turma da Barra
ABL
Academia Barra-Cordense de Letras
Casa Maranhão Sobrinho
A Academia Barra-Cordense de Letras, conhecida também como Casa Maranhão Sobrinho, foi fundada em 28 de julho de 1992. É composta de 40 acadêmicos titulares. Cada membro ocupa uma cadeira que por sua vez tem um patrono correspondente.
No aspecto patrimônio, adquiriu em regime de cotização entre os acadêmicos, o prédio do antigo clube Maranhão Sobrinho, na rua Luís Domingues, em Barra do Corda. Em setembro de 1997, a ABL começou a construção da sede definitiva. Nela funcionará várias atividades culturais, principalmente um museu e uma biblioteca.
Quem foi Maranhão Sobrinho?
Poeta, jornalista, funcionário público e boêmio. Viveu 36 anos. Nasceu em Barra do Corda em 30 de dezembro de 1879 com o nome de José Américo Augusto Olímpio Cavalcanti dos Albuquerques Maranhão Sobrinho.
Morreu em Manaus em 1916, no dia 25 de dezembro. Publicou "Papéis Velhos", em 1908, "Estatuetas" em 1909 e "Vitórias Régias", em 1911.
A Academia Barra-Cordense de Letras toma emprestado o nome Maranhão Sobrinho e faz uma reverência especial ao maior poeta nascido em Barra do Corda.
Literariamente batizado na escola simbolista, Maranhão Sobrinho é conhecido pelos críticos e estudiosos de literatura como um dos três melhores poetas simbolistas brasileiros, ao lado de Cruz e Souza e Alphonsus de Guimarães.
Ainda, segundo os críticos literários, é notória a influência dos poetas franceses Mallarmé, Verlaine e Baudelaire. Na poesia de Maranhão Sobrinho a idéia é simbólica, o sentimento é romântico e a forma é parnasiana, afirma o literato Reis Carvalho.
Maranhão Sobrinho morou em São Luís, Belém e Manaus. Nessas cidades seus sonetos tiveram grande popularidade.
O poeta também é membro fundador da Academia Maranhense de Letras e da Academia Amazonense de Letras.
Em Barra do Corda, o seu nome é lembrado oficialmente em uma única praça e pela Academia Barra-Cordense de Letras.
O TB cultura publica dois poemas do Maranhão Sobrinho. "O Mar" e "Sóror Teresa", o mais popular:
Poemas:
Sóror Teresa
Maranhão Sobrinho...E um dia as monjas foram dar com ela
morta, da cor de um sonho de noivado,
no silêncio cristão da estreita cela,
lábios nos lábios de um CrucificadoSomente a luz de uma piedosa vela
ungia, como um óleo derramado,
o aposento tristíssimo de aquela
que morrera num sonho, sem pecado...Todo o mosteiro encheu-se de tristeza,
e ninguém soube de que dor escrava
morrera a divinal sóror Teresa...Não creio que, de amor, a morte venha,
mas, sei que a vida da sóror boiava
dentro dos olhos do Senhor da Penha...
(do livro Papéis Velhos...Roídos pela Traça do Símbolo/1908)O Mar
Maranhão SobrinhoOuve! O mar, escarpando as rochas, na agonia
Do sol, parece ter na voz humana acento
De dor! Reza, talvez. Vai recolher-se. O dia
Se ajoelha e a tarde, em sonho, abraça o firmamentoComo nós, pode ser que a tristeza e a alegria
O mar sinta também: precisa, em movimento,
Trazer um coração... Quem sabe o que irradia,
No íntimo, em doce e azul recolhimento.Escuta! Uma onda vem beijar-te os pés. Não a de
Calma os seios rasgar sobre os basaltos. Quero-las
As ondas todas são. Ouve-lhe a voz. Piedade!O mar leva-me a crer que tem paixões mortais
Em que rolam, brilhando, as lágrimas das pérolas
E palpita, fervendo, o sangue dos corais...
(Do livro Vitórias Régias)Informações: (098) 643-1225 (João Pedro Freitas - vice-presidente)