Artigo
Tristeza tem fim

jornal Turma da Barra


*Cezar Braga

    Ontem, domingo 29, acordei bem. O dia estava alegre, ensolarado, ameno.
    Sai cedo, visitei as obras, quase sem ninguém. Fui almoçar com a família, como estava previsto, era aniversário do Túlio.
    Depois do almoço, uma tristeza sem razão se apossou de mim.
    Fiquei meio macambúzio e a pensar o porquê dela.
    Todo mundo que a têm quer afastá-la, sufocá-la, disfarçá-la, nunca compreendê-la.
    E, ela não quer muita coisa, quer apenas marcar seu espaço, neste mundo que exalta apenas a alegria, o oba-oba, a verborragia, e que sempre desconfia de quem está muito calado.
    É claro que o ideal é ser ou estar sempre alegre, mas o melhor mesmo é não se privar de viver o que se está sentindo, seja lá o que for.
    Estar triste não é estar doente. Tristeza não é depressão.
    Tem dias que estamos assim mesmo, nem aí pra samba, pra rock, pra carnaval e, nem por isso devemos procurar poções mágicas que possam camuflar a situação, disfarçar nossa introspecção ou, ainda, aceitar convites para algum churrasco ou festa, em que nada temos a comemorar.
    O certo é se aquietar, deixar o tempo passar. Logo, logo estamos de volta, sempre voltamos e anunciando a si mesmo que mais uma névoa se foi, mas uma dor passou, até que venham outras, afinal somos normais.
    Clarice Lispector, na poesia “O sonho”, exalta a tristeza na nossa vida como o ingrediente para deixá-la humana, como expressa na segunda estrofe, se referindo à vida de cada um:

“Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.”

    O fato é que ao escrever sobre a tristeza que estava sentindo, ler varais vezes a poesia de Clarice Lispector, senti que ela se foi, que voltei.

*Cezar Braga é presidente da Arcádia Barra-Cordense

(TB30jan2012)

 

  Artigo
Nada de mordaça...
Viva a liberdade!

jornal Turma da Barra

*Cezar Braga

           O poder cega, o poder corrompe e, principalmente, encanta ou tem encantos que o próprio encanto desconhece. O poder, assim como num passe de mágica, faz desaparecer os valores, desconhece a ética, a cidadania, a dignidade humana.
           A força do poder é tamanha, exerce um fascínio tão grandioso que engendra, cria seus próprios valores e dele não arreda nem um milímetro.
           Às vezes nem se preocupam em criá-los, simplesmente os dispensam, os ignoram.
           De um jeito ou de outro o que se vê hoje no país é uma ausência completa de qualquer recato, ética ou decência.
           A corrupção se alastrou de tal modo que já se institucionalizou. Grassa impunemente, sem fronteiras e tem efeito multiplicador. O assalto ao alheio, ao público não tem limites e não conhece freios.
           Todos conhecem a forma de agir dos detentores do poder e na nossa Barra do Corda não é diferente, nem novidade para ninguém.
           Agora resolveram atuar com a truculência, que uma forma fascista de evitar o confronto de idéias, tão salutar nestes dias difíceis.
           Eles querem evitar o debate por necessidade, pois ele é nocivo à sua forma de domínio, de controle absoluto da sociedade, até porque a existência dele pressupõe a existência de oposição.
           De forma velada conseguem seus intentos, dão a unhada e escondem a unha, e, assim, tentam passar para a sociedade ainda livre e pensante, que nada tiveram com os abusos de tentar amordaçar a pequena, mais atuante, imprensa livre da nossa querida cidade.
           Será que pensam que agindo desta forma vão calar estas vozes? Talvez não acreditem que agindo desta maneira, irão alimentar a sede dos que ainda pensam e lutam por melhores dias, por mais dignidade e cidadania.
           Que esta atitude esdrúxula, em que a vítima não foi a Rádio Jitirana, mas todo povo livre de Barra do Corda, abra a cabeça, sensibilize as mentes dos que fazem a oposição, para que agindo com bom senso e cidadania se unam em torno de um nome sério, competente e comprometido com o resgate da dignidade do povo barra-cordense e com o desenvolvimento de nossa cidade.
           Que esta afronta à liberdade traga lucidez aos nossos políticos, para que se despojam de seus projetos pessoais, que se dispam das vaidades mundanas e escolham um candidato identificado com a honradez, probidade e que tenha desenvolvido o senso de que o desenvolvimento de uma cidade passa, antes de tudo e necessariamente, por uma educação competente, uma saúde saudável e uma administração competente e profissional.
           Todos dizem que sem liberdade de imprensa não existe democracia. Tentar amordaçar a Rádio Jitirana, tentar calar o programa Mesa Redonda nada mais é uma prova, e uma prova contundente, de que a verdade incomoda, assim como incomoda a coragem de dizê-la.
           Meus amigos, que o Mesa Redonda já incomoda há muito tempo não é novidade, basta ver os casos de pessoas que perderam a oportunidade de trabalho, que foram intimadas pelo simples fato de ouvir o programa, mas a tentativa de silenciá-lo é a prova cabal que o povo, que não é bobo, como querem fazê-lo acreditar, está consciente e em sintonia com as diretrizes do programa.
           Parabéns para os idealizadores, apresentadores, participantes pelo excelente programa Mesa Redonda, que mostrou consistência, conteúdo e escancarou as deficiências do poder público, além de desnudar os falsos discursos, os discursos daqueles que não mostraram a cara, ou melhor, que não se fizeram ouvir.

*Cezar Braga é presidente da Arcádia Barra-Cordense


(TB23jan2012)

 

 

Artigo
Parabéns, Heider Moraes
jornal Turma da Barra

*Cezar Braga


           Na sua crônica Heider Moraes, destacou que Ernest Hemingway escreveu o romance “Por quem os sinos dobram”, a partir de experiências pessoais durante sua participação no conflito conhecido como Guerra Civil Espanhola, ocorrida de 1936 a 1939.
           Disse, ainda, que o livro poema em prosa de John Donne (poeta inglês, 1572-1631), Meditação XVII, do livro Devotions Upon Emergent Occasions, 1624, foi a inspiração para o título do romance de Hemingway. O título da obra de John Donne é “NUNC LENTO SONITU DICUNT, MORIERIS (Os sinos tocam suavemente por alguém. E me dizem: você deve morrer).
           Pois bem, o jornalista Heider Moraes, em 2012, baseado em suas experiências pessoais, escreveu um poema em prosa, com o mesmo título do famoso romance, numa nuance fundamental em relação ao poema em prosa de John Donne, pois no do Heider Moraes, as recordações, as saudades, a fraternidade estão presentes, bem mais presentes que no de John Donne.
           No mesmo poema em prosa de John Donne ele disse: “A morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido; por isso, nunca mandes perguntar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”
           O Heider Moraes foi mais longe, mesmo sabendo que os sinos dobram por cada um de nós que ficou na terra, ele encontra forças, coragem e determinação para sentir que eles dobram também de alegria pelo milagre da vida, pelo amor entre os homens.
           Heider Moraes, ao longo deste poema em prosa, deixa claro que a distância da Barra do Corda é meramente geográfica, que seu coração, sua alma, até seus ouvidos continuam na terra em que nasceu.
           Depois deste poema em prosa, quando o Heider Moraes se desnuda em relação ao seu amor e cuidado com a Barra do Corda, ninguém mais poderá dizer que sabe ou não entende o por que de todo esse desvelo com que ele fala da Barra do Corda, de toda sua determinação no resgate da história e da cultura barra-cordense, de toda sua coragem em defender dias melhores para o povo barra-cordense e de todo seu esforço para manter o jornal TB.
           Todo este cuidado em preservar a cultura barra-cordense, em manter informados os mais distantes e ausentes do que acontece aqui, tem nome, sobrenome, é amor pela terra natal, é respeito por um passado glorioso e esperança por um futuro promissor.
           Parabéns, Heider Moraes! Você conseguiu mexer nos arcanos existentes mais recônditos do âmago de cada leitor.

*Cezar Braga é presidente da Arcádia Barra-Cordense


(TB16jan2012)

NR: Leia crônica de Heider Moraes: Clique aqu

 

Artigo
Obrigado, Álvaro Braga
jornal Turma da Barra

*Cezar Braga


           Barra do Corda é uma bonita, não só de belezas naturais, mas com um acervo arquitetônico, traduzido em seus casarões, que já foram mais numerosos, de fazer inveja a muitas cidades.
           Barra do Corda tem um potencial turístico muito grande, sempre alardeado pelos seus filhos e nunca tratados com a merecida atenção pelas políticas públicas.
           Quero, mais uma vez, lembrar que povo sem memória é povo sem história. Quem entre os turistas, e até mesmo entre os moradores, conhece a história de alguns destes casarões, ou conhecia a história da nossa Igreja Matriz, antes do relato memorável do historiador Álvaro Braga?
           O patrimônio de uma cidade é dividido em dois grupos: natural “são as riquezas que estão no solo e no subsolo, tanto as florestas quanto as jazidas” e cultural “esse conceito vem sendo ampliado à medida que se revisa o conceito de cultura”. (Barreto, 2000).
           O patrimônio cultural individual é mais simples de ser preservado, são as coisas imateriais que nos são repassados pelos nossos antepassados, já o patrimônio cultural coletivo é mais complexo, pois o que deve ser preservado depende de um grupo de indivíduos. Porém, não podemos ver a coletividade apenas como uma simples soma de indivíduos, ela é, além disso, uma soma de indivíduos que se interagem, mesmo de fazendo parte de grupos diversos, mutantes e em muitas vezes com idéias diversas das coisas, até mesmo conflitantes, que levam a diversidade e multiplicidade de opiniões, gerando assim, diversidade de interesses. È em função dessa diversidade que se criam os órgãos relacionados a patrimônio, para debater e deliberar sobre a questão:
           O que preservar?
           Eu pergunto: Que órgão na nossa rica Barra do Corda tem competência para debater e deliberar esta questão?
           Alheio ao problema se existe ou não este órgão, o historiador Álvaro Braga foi à luta, pesquisou, escarafunchou, perguntou, conversou e, nos 60 anos da Igreja Matriz, deu-nos um presente raro: a verdadeira história de sua construção, e no seu bojo resgatou a importância na história religiosa, social e política de Barra do Corda, a figura emblemática de Frei Adriano de Zânica.
           O trabalho do Álvaro foi mais longe, ao resgatar a história da Igreja Matriz, permitiu que os leitores, filhos de Barra do Corda, seus moradores e apaixonados por ela, conhecessem pessoas que ajudaram sua construção, algumas ainda vivas, valorizando estas pessoas e deixando claro que, embora vivendo num mundo em que não podemos deixar de pensar no amanhã, já que ele é muito incerto, devemos reverenciar o passado como balizador de ações futuras.
           O mais importante, além dos relatos escritos com objetividade, com concisão, mas ricos em detalhes, foram as fotos.
           Fotos que foram tiradas, algumas simplesmente sob a ótica do fotógrafo, outras ditadas pelos fotografados, para registrar fatos relevantes à época – comemorações, conquistas, inaugurações -, outras por vaidade, mas nunca com pretensões conscientes de registrar a história.
           São centenas de fotografias, produzidas por fotógrafos anônimos, que na época não sabiam de sua importância histórica, e que se transformaram em peças fundamentais na engrenagem narrativa da história de Barra do Corda, depois de garimpadas, lapidadas e alocadas de acordo com o tempo e circunstâncias, pela sensibilidade e dedicação do historiador Álvaro Braga.
           Portanto, caro Álvaro, quero aqui, registrar todo meu deleite com reportagens sobre a Igreja Matriz, todo meu agradecimento a este trabalho de formiguinha, mas de força hercúlea, de resgate da história de Barra do Corda e todo meu encanto pela procura, recuperação e preservação deste memorável acervo icnográfico.
           Quero encerrar esta primeira crônica deste 2012, dizendo que fotografia tem a vantagem de trazer de volta a discussão sobre a verdade e a ilusão da verdade, objeto de toda a reflexão filosófica. Segundo Nestor Canclini “o trabalho fotográfico se move no campo da verossimilhança. Não é possível captar o essencial da realidade à primeira vista, o real é uma rede de relações”, pois para o autor, “conhecer implica também imaginar, inventar, abrir o presente ao pressentido”.(Canclini,1998).
           Obrigado, Álvaro Braga!

*Cezar Braga é presidente da Arcádia Barra-Cordense


(TB9jan2012)

NR: Leia crônica de Álvaro Braga: Clique aqu

 

Artigo
Parabéns ao TB
e muito obrigado

jornal Turma da Barra

*Cezar Braga

           Jornais de uma época remota viviam em função das causas que defendiam, às vezes de um partido político ou de um sindicato, ou, ainda, por alguns abnegados leitores.
           Depois começaram a circular com uma maior diversidade de notícias, muitas reportagens e informações. Neste momento sugiram os anunciantes, assinantes, que garantiam a sobrevivência do jornal.
           Hoje eles dependem, quase que exclusivamente, dos anunciantes, e talvez por isso, se tornaram quase que catálogos de ofertas, tipo: carros, mercado imobiliário, e outras matérias afins. E suas idéias em geral são aquelas que servem aos que financiam suas matérias.
           Mas há exceções.
           O TB, por exemplo, se ocupa da promoção do conhecimento, da defesa de Barra do Corda, da preservação do patrimônio público e do meio ambiente.
           Assim, não dá pra dizer que o TB tenha matérias. O que ele tem mesmo é alma.
           O TB tem que ter um lugar de destaque na história de Barra do Corda, pois conseguiu ao longo de mais de 20 anos levar a notícia, divulgar a nossa cidade, promover o conhecimento, disseminar cultura, descobrir talentos e, tudo isso foi sempre um veículo de comunicação isento e independente, com uma postura liberal e crítica, com seriedade e imparcialidade.
           O TB tem outra coisa que o diferencia de outros jornais, muitas pessoas simpatizam com ele, outras o odeiam, mas todos, sem exceção, o respeitam.
           No momento de lançamento do segundo número da Revista da Academia Barra-Cordense de Letras, nós que a compomos, queremos prestar as mais sinceras e justas homenagens a esse jornal independente, que mais traduz sua posição na sociedade barra-cordense como o espaço do contraditório.
           Meus parabéns ao brilhante editor e todo seu corpo de jornalistas, que transformaram este diário on-line em uma tribuna permanente da luta por melhorias para nossa querida Barra do Corda, um ferrenho instrumento de defesa da língua pátria e um esteio para os novos talentos barra-cordenses, mantendo assim a pujança literária de Barra do Corda.

*Cezar Braga é presidente da Arcádia Barra-Cordense


(TB19dez2011)

Artigo
Nostalgias natalinas
jornal Turma da Barra

*Cezar Braga

           Dezembro entra de vez na febril correria do Natal e Ano Novo. Ninguém pensa ou fala em outra coisa, tudo se resume a compra de presentes, confraternizações, comidas, bebidas, roupas para as festas de virada do ano e muita farra.
           Enfim, tudo era para ser só alegria, mas me pego triste, macambúzio. Ou o espírito natalino não me contagiou, ou as lembranças de natais longíguos tenham sido mais fortes que as festas natalinas de hoje, ou, ainda, que na passagem do ano, não são mais os sinos das igrejas que badalam anunciando um ano novo.
           Houve um tempo e eu vivenciei parte deste tempo, em que no Natal, mesmo com o lado mercantilista que sempre existiu, havia um tempo para Deus, para a família, para a reflexão. Neste tempo o Natal e a passagem de ano se davam em grande mesa, com toda família reunida, ao som das conversas alegres, sentindo o característico cheiro de natal, peru assado com farofa e de ano novo, leitão assado.
           Para nós, crianças à época, a festa se acabava tão logo o ano começasse, já para os adultos ela só estava se iniciando. Naquele tempo sentíamos uma ponta de tristeza, inveja, sei lá.
           Hoje, quando vejo as famílias serem separadas, cada um procurando a festa mais bonita, mas compatível com sua turma, mais conveniente para sua promoção social, fico a pensar como era bom meu fim de ano.
           Não estou sendo saudosista, nem eu mesmo sei o que estou sendo, mas acredito que estas coisas estão me remoendo e me deixando assim, triste, macambúzio nas confraternizações.
           Este ano vou me permitir uma digressão na ordem estabelecida, vou passar o natal e a virada de ano, em um lugar que gosto, com as pessoas que gosto, sem me preocupar com o que vou comer ou beber, querendo apenas conversar, me alegrar por estar onde quero, com quem quero, sendo feliz com quem se sente feliz comigo.
           No natal quero ir a pé para Igreja Matriz assistir a Missa do Galo. Na passagem do ano não quero música, nem nenhum outro som que possa atrapalhar a melodia do badalar dos sinos anunciando o Ano Novo.
           Este ano só quero aquele clima de quando eu era criança.
           Este ano só quero voltar a ser criança.

*Cezar Braga é presidente da Arcádia Barra-Cordense


(TB12dez2011)

 

Artigo
A última flor do Lácio
jornal Turma da Barra

*Cezar Braga

           Uma polêmica se instalou no grupo Barra do Corda, do facebook, em função dos erros de português.
           Hoje usamos neologismos tipo “cearês”, “barracordês”, “maranhês” e muitos outros, para se referir o linguajar próprio da cidade, estado e região. Assim surgiu o “internetês”, que se refere à linguajem adotada pelos internautas para se comunicarem mais rápidos, já que a velocidade de transmissão de dados aumenta a cada dia, foi necessário abreviar palavras, substituir frases, etc.
           Eu já comentei em uma crônica estes tipo de linguajem e, já me desculpei várias vezes por não participar mais ativamente de bate-papos, de grupos em redes sociais. É que não me acostumei com este linguajar tão particular da Internet, aliás, não é que não me acostumei, nunca consegui escrever com tantas abreviaturas, nunca consegui entender como decifrar esta escrita estranha.
           Mas há uma diferença enorme em escrever de maneira cifrada, a tão falada “internetês” e escrever errado, sem concordância, sem pontuação.
           Quando vejo alguém postar com muitos erros, não acredito que aquilo seja possível, e começo a pensar que a escrita errada é só para confundir e criar um anonimato.
           Vamos abreviar, em nome da celeridade da informação, mas vamos salvar a língua pátria, em nome de nós mesmos.
           O português é uma língua maravilhosa, sonora, bonita... Mas que pode nos preparar armadilhas, nos deixar de “saia-justa”, em “papos de aranha”, é só vacilar, dizer palavras soltas, frases rápidas e aí já era.
           Por exemplo, tem gente que vai entrando em um ambiente onde já esteve momentos antes, e vai dizendo:
           - Bom dia, para quem eu não dei ainda hoje.
           Já pensou a “saia-justa”, se alguém resolve encompridar a conversa. Outras no meio da conversa falam:
           - Estou querendo gripar.
           Como se fosse possível alguém querer gripar. Mas é a maneira de dizer que se está apresentando os sintomas de uma gripe.
           Quando alguém lhe pergunta: Como vai? A resposta é quase sempre: Vou bem e você?
           Adotei, sem brincadeiras, responder quando alguém me perguntava como eu ia, saindo do refrão surrado, com algo diferente, e dizia:
           - Não vou bem como você, mas pretendo ficar.
           Um dia um amigo me reclamou que a resposta era muito grande, aí resolvi encurtar e ele ficou bravo quando, dias depois ao ser indagado como ia, lhe respondi:
           - Não como você, mas pretendo.
           Às vezes, por conta da retórica, nos metemos em papos de aranha, e sem perceber já estamos dizendo asneiras.
           Quem já não disse: Vou encarar de frente! Ele compareceu pessoalmente. É um fato real. Que surpresa inesperada!
           A nossa língua permite aos poetas ouvir as estrelas, ver o Tejo no Escondido, sentir a beleza das folhas mortas, ela é única.
           Esta crônica pretende mostrar, um pouco, a versatilidade da nossa língua, da beleza nos trocadilhos, da riqueza das rimas dos nossos poetas, para com isso solicitar aos nossos amigos, que a respeitem, que a considerem e procurem escrevê-la da maneira mais correta possível.
           Em nome da última Flor do Lácio, vamos nos esforçar e escrever mais corretamente a nossa língua pátria.

*Cezar Braga é presidente da Arcádia Barra-Cordense


(TB28nov2011)

Artigo
Os sonhos da minha cidade
jornal Turma da Barra

*Cezar Braga


           Semana passada falei sobre um sonho possível, o da implantação de um Campus da UFMA em Barra do Corda.
           Depois fiquei a semana toda matutando sobre os sonhos, os meus particulares, os sonhos coletivos, como é caso da UFMA, simplesmente divagando sobre sonhos...
           Jaime “Lerner, ex-prefeito de Curitiba, arquiteto, urbanista disse: “A cidade tem que definir qual é o seu sonho.”
           Pois é, não são só as pessoas que precisam ter sonhos a realizar, mas as cidades, todas as cidades tem que definir seu sonho e mobilizar todos para conquistá-lo.
           Uma vez publiquei uma crônica intitulada SONHOS... SONHOS, que anexarei à crônica de hoje, quando falei dos meus sonhos, para a minha cidade.
           Hoje não consegui conter meus pensamentos, na tentativa de definir quais os sonhos de Barra do Corda?
           Fica difícil enumerar os principais sonhos de Barra do Corda. Por qual sonho a cidade inteira, incentivada, estimulada por nossas lideranças, está lutando?
           O que está motivando nossa população, nossos empresários, nossos políticos, nossas instituições?
           Não sei, se tirarmos o Campus da UFMA, já encampado por vários segmentos da sociedade, por boa parte da população e, de um jeito meio torto, mas válido na medida de que precisamos deles, por um político da nossa terra, qual seriam seus outros sonhos?
           Acredito que nosso povo, bom e ordeiro, está tão desencantado com tudo que vem acontecendo na cidade, sem que medidas sejam tomadas pelos órgãos que devem fiscalizar e punir os desmandos na vida pública, que deixou de ter “belos sonhos” com a nossa querida cidade.
           Talvez, quem sabe, o maior sonho não seja o de passar esta fase de abandono das principais necessidades do Município, pela qual se encontra a saúde, educação, segurança pública, entre outros, ou de emergir de uma vez por todas da penumbra que sucessivos governos a colocaram, em não priorizar o desenvolvimento. Ou, ainda, em ver suas receitas, quase 100% oriundos dos fundos institucionais- FPM, SUS, FUNDEP, dos convênios com os governos estadual e federal, serem aplicados nas prioridades sociais, e não engordando patrimônio e contas bancárias dos administradores municipais.
           A verdade é que as futuras lideranças de Barra do Corda, que deverão surgir e serem forjadas pelas urnas em 2012, terão um desafio a mais, além de sanar os problemas, que não são poucos, herdados pelos governos anteriores: o desafio de recuperar a capacidade de sonhar dos barra-cordenses.
           De sonhar com uma Barra do Corda feliz, acreditando que esta cidade que foi considerada a Princesa dos Sertões, que esta cidade maravilhosa ainda pode ser muito melhor e que é possível, com o empenho de todos, elevá-la a uma das melhores do Maranhão.
           Vejamos assim, sonho é um desejo, uma atitude, um projeto que é proposto à população e, se a população perceber que é desejável, ela vai ajudar faze-lo
acontecer.
           Acho que toda cidade, a minha Barra do Corda, tem que ter um sonho para que as pessoas abracem e se irmanem na realização desse sonho.
           Apesar das nuvens carregadas que ainda insistem em pairar sobre Barra do Corda, apesar dos pesares, vislumbro um cenário maravilhoso para nossa cidade se os interesses pessoais forem deixados de lado em prol de Barra do Corda.
           Vamos conseguir a UFMA, em breve esse sonho será realidade e permitirá que a nossa cidade vá à luta para realizar outros sonhos.

*Cezar Braga é presidente da Arcádia Barra-Cordense


(TB7nov2011)

 

Artigo
Barra do Corda:
minha cidade querida

jornal Turma da Barra

Cezar Braga


           Resolvi passar o fim de semana da Barra do Corda. Resolvi também que vou fazer isso mais amiúde. Resolvi também que vou participar mais ativamente da vida da minha cidade.
           Empurrei minhas insatisfações para bem longe e resolvi curtir a beleza incomparável da minha cidade , com seu ar aristocrático, de uma elegância que só ela tem, mostrando a todos que aqui chegam que ela está de braços abertos para recebê-los.
           Barra do Corda se apresenta, neste domingo, como a cidade que gosto, que me atraiu, o sol brilhando, o céu azul se tornando mais azul com o adiantar da manhã, o ar exalando o perfume da esperança, o frio gostoso do amanhecer, os rios com suas águas límpidas nos chamam a meditar, as pessoas agasalhadas, sem agasalhos, seguras, confiantes, indecisas, mas felizes caminham sem pressa.
           A minha cidade apesar desse lado positivo tem outros que também fazem parte de nosso dia a dia, onde tudo é possível, é realizável, onde as alegrias em reuniões festivas, nos bares e restaurantes, podemos externar toda nossa alegria e felicidade por aqui está.
           É claro, que temos nossa cidade tem seu lado obscuro, as drogas, a criminalidade, a prostituição, a violência. Um submundo que ás vezes tentamos esconder, mas ele é real, existe e fazem vítimas todos os dias.
           
Mas a cidade não tem culpa do o que aqui acontece, nem é a responsável pelos personagens que nela habitam e, onde cada um tem inteira liberdade e responsabilidade de escolha de como viver ou morrer.
           A minha cidade se queda calada, observando tudo com um olhar de tristeza e sofrendo pelas depredações, sujeiras que pessoas sem escrúpulos, sem amor e sem se importar com os sentimentos daqueles que a amam e lhes dedicam um grande respeito por tudo o que ela nos proporciona de bom em retribuição a nossa dedicação.
           Mas, minha cidade, ao mesmo tempo, se alegra com os que lhe amam, que admiram seus parcos canteiros e árvores floridas bem cuidadas dando um ar de beleza e encanto as praças e a cada pequeno recanto enfeitando-os. Apesar de tudo e de todos, ela se apresenta radiante, mesmo com todos problemas ela aí está a todo amanhecer, a espera que seus habitantes e *filhos apareçam e comecem a se movimentar dando-lhe vida, reverenciando essa cidade querida que não dorme, que ouve nossas reclamações, que nos agasalha, que nos acolhe.
           Mesmo com todas reclamações, decepções, não conseguiremos, jamais, viver sem ela, porque estará sempre em nossos corações. Sinto uma vontade louca de correr, de flanar, de voar, de amar como as crianças, homens, mulheres, de repartir uma alegria incontida e gritar bem alto: Te amo muito, eu confio e acredito em você apesar de tudo!

*Cezar Braga é presidente da Arcádia Barra-Cordense

(TB15ago2011)