Artigo
Pedágio caboclo assusta no Maranhão
jornal Turma da BarraPedágio na BR-226 - Reserva Canabrava
Foto do site Grajaú de Fato
Por Euclides e Chiquinho
Barra do Corda, uma das cidades mais belas e charmosa do Maranhão, de lá já saíram filhos ilustres, jornalistas, intelectuais e políticos importantes no cenário estadual e nacional. Perto dali uma situação inusitada provocada por índios acontece na rodovia.
A Barra como é chamada continua com sua importância para a região interiorana e para os municípios adjacentes. O centro da cidade transformou-se num grande shopping aberto. Os rios Corda e Mearim silenciosamente vertem suas águas como artérias conduzindo vida. Talvez sejam o principal orgulho e as maiores riquezas do centro-sul-maranhense.
Isto não é novidade pra ninguém, portanto, o fato que chama a atenção e tem sido motivo de conversas e medo é outro. No trecho da rodovia que passa dentro da reserva indígena entre Grajaú e Barra do Corda vêem-se faixas por toda parte, estendidas e armadas sobre a pista, seguradas principalmente por crianças, jovens índios e mulheres, numa espécie de pedágio caboclo, sob o sol escaldante à beira do asfalto.
Para quem passa por ali é simplesmente assustador, pois nunca se sabe como poderá reagir uma daquelas pessoas com suas faixas hasteadas e alma ferida.
A FUNAI que representa o governo federal para assunto indigenista não pode assistir e permitir essa situação ou deixar essa nação de indígena ingressar nesse processo de mendicância revoltante. Chega de pobreza! O Maranhão já sofre de muitos outros males, não precisa colecionar mais este porque é humilhante e perverso tanto para aquele povo quanto para os motoristas e passageiros que são instruídos a carregarem dinheiro trocado, biscoitos e pequenos objetos a serem distribuídos ao longo da estrada.
Cabe uma reflexão política sobre o assunto e bem poderia chamar a atenção do poder constituído: vereadores, prefeitos, deputados, senadores e governantes do Estado. Cuidem do problema! Isto é falta de política pública ou alguém duvida?*Euclides Vieira Silva – Administrador, radicado em Brasília
*Francisco Vieira Silva – Advogado, radicado em Brasília(TB27jan/2010/nº13)
Artigo
Pedágios cobrados por índios na BR-226 causam revolta e polêmica na região
jornal Turma da BarraO TB transcreve matéria do jornal O Progresso,
edição de terça-feira, 26 de janeiro
A reserva indígena Cana Brava, localizada às margens da BR-226, em um trecho de 22,8 quilômetros, compreendidos entre os municípios de Grajaú e Barra do Corda, tem uma extensão de 137.329 hectares e por lá passa diariamente grande parte da economia do nosso estado.
Além das centenas de caminhões, ônibus, caminhonetes (pau de arara), ainda muito comuns na região, veículos de passeio e motocicletas também circulam pela 226 todos os dias. Ocorre que o trecho é historicamente polêmico, dados os inúmeros conflitos registrados desde 1901.
Como mais novo incremento de insatisfação entre índios e brancos, eis que surge uma nova polêmica na região. Trata-se da cobrança de pedágio por parte dos índios que habitam nas aldeias às margens da BR-226. Nada de errado se fosse em prol de alguma formatura ou festa beneficente em datas esporádicas. O problema é que isso vem acontecendo diariamente e no máximo a cada 2 quilômetros, ou a cada quebra-mola, que somam cerca de 20 no total, isso sem contarmos os sonorizadores “esburacados”.
O fato, apesar de ser do conhecimento de todos, vem sendo ignorado por autoridades competentes.
A foto que ilustra essa matéria foi enviada por um leitor de Barra do Corda, que prefere não ser identificado. Segundo ele, em email enviado à nossa redação, o problema é sério e merece a atenção das autoridades. “É uma situação de risco, tanto para as crianças indígenas que permanecem às margens da pista ao lado dos pais, como também para os motoristas, principalmente de veículos de grande porte, devido à lenta retomada da velocidade, uma vez que não se sabe ao certo quem é índio e quem é branco no momento da abordagem. A sensação é de medo”, relatou o leitor.
Ele disse ainda que os povos indígenas que habitam a reserva precisam de assistência básica dos governos nas áreas da saúde e educação, em especial. A verdade é que já não se vê mais as barracas de artesanatos ao longo do trecho da 226 que compreende a reserva com a mesma frequência que víamos no passado. Uma fonte de renda extra encontrada por aquele povo e muito mais digna do que o subterfúgio dos pedágios. A cidade de Barra do Corda é uma das unidades regionais administrativas do estado. Compõem a unidade os municípios de Arame, Grajaú, Fernando Falcão, Sítio Novo, Itaipava do Grajaú, Jenipapo dos Vieiras, Tuntum e Barra do Corda. Pelo menos seis deles, situados mais ao sul, têm obrigatoriamente que percorrerem quase que diariamente o trecho da reserva indígena para resolverem problemas pertinentes ao estado.
O pedido de providências a serem tomadas pelas autoridades competentes está lançado. Hoje brancos e índios dividem a rodovia federal com certa harmonia. Esperamos que as novas divergências não se tornem em conflitos do passado entre os dois povos. (Por Carlos Henrique Lobato)(TB13jan/2010/nº11)