Demagogia da burocracia
Artigo
*Renilton Barros
Artigo
*Renilton Barros
Nunca na história desse País...
Este bordão tornou-se “mundialmente” conhecido pelo nosso presidente que o tem usado para mostrar ao povo brasileiro que o seu governo é diferente. E ele é usado para destacar fatos impressionantes ou marcantes e que certamente ajuda na promoção do
governo atual.
Não usarei este espaço para criticar este ou aquele governo, pois como já afirmei anteriormente, não tenho preferência partidária, mas como o voto é obrigatório num País que se diz democrático, isso, então, me dá o direito de falar, bem ou mal.
Já fiz menção neste espaço de como anda a política por aqui no DF, e os jornais se encarregam de
repassar a todo o Brasil e ao mundo o que acontece no campo da política local.
Temos um governador preso e “nunca na história desse País”, eu havia visto um habeas corpus que demorasse tanto para sair ou até mesmo que fosse negado para uma autoridade desse escalão.
Com a prisão temporária do titular, assume o vice e que, “nunca na história desse País”, um vice-governador permaneceu tão poucos dias no poder, tendo que renunciar para não perder os direitos políticos, pois havia indícios de sua participação no esquema do “mensalão” do DEM.
Diante desse cenário, assume o governo o presidente da Câmara Legislativa que, “nunca na história desse País”, um presidente de uma casa legislativa tenha assumido o governo depois de assumir a presidência da Câmara Legislativa após a renúncia do presidente anterior, que se viu obrigado a renunciar para não ser cassado e perder, também, seus diretos políticos.
Nossa! Ficou confuso o parágrafo anterior, mas o raciocínio é este mesmo, o governador atual é o presidente da câmara Legislativa, que assumiu aquela casa após a renúncia do anterior. E “nunca na história desse País”, eu tinha visto algo assim.
Mas a história continua. O risco de intervenção federal é iminente. Os dois poderes locais (legislativo e executivo) estão à mercê do terceiro poder, o judiciário, que “nunca na história desse País”, eu tenha presenciado a autonomia e a independência entre os poderes ficar tão estreita como a situação ora apresentada.
Temos uma Câmara Legislativa que demorou mais de três meses para apreciar vários processos de cassação daquele governador que está preso, sendo que a tal CPI foi arquivada antes mesmo do fim do prazo estabelecido e sem que as denúncias tenham sido averiguadas.
Agora, com o desencadear dos fatos e os ricos da intervenção federal, “nunca na história desse País” uma votação na Câmara Legislativa foi tão rápida para que o processo de cassação contra o governador (preso) fosse aprovado, um não, vários processos.
Vontade para resolver toda essa situação? Não. Apenas medo de que, em havendo a intervenção, tais deputados percam seus privilégios e o prestígio (se é que ainda o tenham) perante a sociedade.
Bom, vamos aguardar os próximos capítulos dessa novela, e ver o que vai acontecer “na história desse País”.
*Renilton Barros*Renilton Barros é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda
(TB/19fev2010/n°101)
Artigo
A festa do carnaval
*Renilton Barros
Parece meio ultrapassado abordar este assunto após a sua realização. Mas para a nossa proposta em escrever este artigo o tema não é tardio, pelo contrário, é propício e oportuno e permite-nos refletir melhor sobre essa festa e as demais.
Passam meses e meses e esta festa é sempre esperada com muito entusiasmo e empolgação, tanto é que já afirmaram que o Brasil só começa, de fato, a funcionar, depois desta data.
Há quem goste, assim com existe quem a odeie, não sendo diferente dos mais variados sentimentos a respeito de outras festas conhecidas.
Não sou hostil a respeito desta festa, apenas não vejo sentido no que ela representa para a nossa cultural e que mereça destaque como feriado nacional, assim como outros feriados (nacionais e regionais) que não tem muito significado, a não ser fazer média com determinados segmentos da sociedade, e que geram muitas divergências e intrigas em sua utilização.
Mas afinal o que se comemora no carnaval? (Carna = Carne; Val = valor) valor da carne?
“Segundo relata o estudioso e pesquisador Hiram Araújo em seu livro "Carnaval", a origem das festas carnavalescas não tem como ser precisamente estabelecida, talvez possa ser ligada aos cultos agrários, às festas egípcias e, mais tarde ao culto a Dionísio, ritual que acontecia na Grécia, entre os anos 605 e 527 a.C. O certo é que a dança, os festejos, os cânticos e a celebração, sempre estiveram presentes na vida e na evolução dos homens e das sociedades.
No Brasil a origem do carnaval não é menos controversa. Alguns baseiam-se na festa feita pelo povo para receber a Família Real no Brasil como o marco zero do carnaval, outros já citam o aparecimento dos primeiros cordões, no início dos anos 20, como o surgimento do que mais se aproxima do carnaval de hoje.
Sobre a origem da palavra carnaval, vários estudiosos já tentaram explicar. Entre as aceitas está "carnelevale", do dialeto milanês, que significa tempo em que se tira o uso da carne. Outros informam que as raízes do termo se constitui em objeto de discussão, e que o vocábulo pode advir da expressão latina "carrum novalis" (carro naval), uma espécie de carro alegórico em forma de barco, com o qual os romanos inauguravam suas comemorações”.
Fonte: http://www.jornaldosamigos.com.br/origem_carnaval.htm
Mas para nós brasileiros o que esta festa significa? Apenas alguns dias sem responsabilidades trabalhistas ou acadêmicas? Vermos o ser humano explorando seus limites de loucura e vida desregradas?
Quando clicamos com o mouse direito sobre esta palavra aparecem seus sinônimos - confusão, desordem, trapalhada -, e ao ler estes significados quase sou induzido a concordar com eles diante do que vemos nestes dias.
Muita confusão nas estradas para quem viaja, desordem nas ruas e no trânsito e muitas outras trapalhadas.
E é justamente nesse ponto que quero deixar aqui registrado um fato que aconteceu sobre essa “trapalhada”.
Como já é nosso costume, todos os anos nós saímos para uma fazenda próximo à cidade de Jaraguá - GO, para passarmos este período longe da agitação, da folia e do barulhos desses dias.
E durante a viagem quando passávamos em frente à cachoeira de Corumbá-GO, havia um acidente de trânsito envolvendo um ônibus e um carro de passeio (gol branco).
Pelo que notamos, o gol queria atravessar a pista, mas ao fazê-lo o ônibus que vinha logo atrás o pegou em cheio arrastando-o ao longo da pista. Não vimos vítimas fatais, mas pelo estado do veículo, o motorista deve ter sofrido graves ferimentos.
Para os envolvidos naquele acidente o feriado de carnaval acabou de forma não muito agradável. Infelizmente aquele foi apenas um dentre muitos outros acidentes que acabam da mesma forma.
A euforia que toma conta do momento nos faz perder a noção do bom senso e nos levam às margens da irresponsabilidade, e isso não é apenas neste período, estende-se por todo o ano. Quando perdemos a noção de nossos limites beiramos as margens da insensatez e o improvável acontece.
Que o carnaval, a páscoa e tantos outros feriados que temos, sejam usados para aprimorar o nosso convívio social, e não como uma válvula de escape para extrapolarmos nossos desejos e vontades, levando-nos a um estremo na vida em que nosso organismo não pode suportar.
Depois disso a corda arrebenta e sempre do lado mais fraco. O próprio homem.
*Renilton Barros*Renilton Barros é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda
(TB/19fev2010/n°100)
Artigo
Pela democratização
do ensino superior
Jornal Turma da Barra*Renilton Barros
Após a conclusão do ensino médio e a possibilidade de continuar construindo o patrimônio intelectual a partir de centros de produção de conhecimento (faculdades e universidades), tem soado como uma forma de democratizar a educação.
Assim, a ideia se estende com a utilização das mais variadas tecnologias para se alcançar o fim proposto na constituição acadêmica da “população” (ou apenas para aqueles que podem ter acesso a esse tipo de formação).
O cenário atual do ensino superior provoca ponderações sobre o que concebemos como a democratização no acesso a essa formação superior.
A história registra essa desigualdade e/ou desequilíbrio, quando os filhos, da denominada classe alta, deixavam o Brasil para estudar no exterior, e aos que aqui ficavam..., é, ficavam.
Mas a situação hoje mudou, não temos mais que sair do Brasil para ter acesso à educação superior, e nesse aspecto a democratização deste ensino para “todos”, está sendo desenvolvida.
Entretanto, percebe-se que tal acesso ainda é complicado. Não precisamos sair do Brasil é verdade, mas precisamos sair da nossa cidade e até mesmo do nosso Estado para alcançarmos esse tipo de ensino. Melhorou muito, mais ainda há o que melhorar.
E é no interior da sociedade, que tem por definição ser democrática, que deve ser direcionado um conjunto de ações que objetivem a conquista desse ideal, bem como lutar por uma melhor qualidade de vida no que diz respeito a trabalho, saúde, segurança...
Por isso, defender e requerer a democratização do ensino superior é importante, como é importante também considerar a inserção desses sujeitos sociais no mercado de trabalho. Não basta somente formar profissionais, tem que ter campo para atuar.
Assim fica a pergunta: de que adianta democratizar a educação se não tem uma função especifica para ser exercida?
Vamos recair agora em outro problema como a infra-estrutura do Estado e sua precariedade na distribuição dos recursos financeiros para uma melhor prestação dos serviços públicos à população.
Além da precariedade no atendimento à população, sabemos que há também ações que contraiam os princípios da administração pública, mas isso..., bom, não vamos entrar em detalhes neste momento.
Há também a iniciativa privada onde estes profissionais podem ser utilizados, mas até mesmo nesta área, a nossa cidade apresenta deficiência.
Afirmo que, de quase nada adianta ser graduado, especialista, mestre ou doutor sem área especifica para atuar, como exemplo disso, vemos o que está acontecendo no Rio de Janeiro, onde pessoas graduadas, com mestrados e doutorados estão fazendo concurso para trabalharem como garis.
Não que a função não seja digna de ser exercida, pelo contrário, mas o fato a ser destacado é que se trata de um concurso em que a exigência na escolaridade são as quatro primeiras séries do nível fundamental.
Disse antes que, de quase nada adianta termos um curso superior no Brasil, a não ser para utilizarmos, também, naquela resposta quando nos perguntam na faculdade sobre o motivo de estarmos fazendo uma graduação, e a resposta é cômica se não fosse trágica: “para termos direito à prisão especial”.
*Renilton Barros é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda
(TB/20nov/2009/nº89)Crônica
O artesão maranhense no cerrado brasiliense
Tio Pedro
Jornal Turma da Barra*Renilton Barros
Seu Pedro do Cerrado
Centro dos Protestantes (Lagoa da União), município de Barra do Corda, no dia 04 de novembro de 1918, nasce Pedro de Oliveira Barros, irmão de Albertina, Dalvina, Virgínia (in memoriam), Naíde (in memoriam), Noeme (in memoriam).
Nesta semana, se vivo estivesse, completaria 91 anos. Faleceu no dia 13 de junho de 2006, em Cidade Ocidental – GO, onde residia e trabalhava, retirando da vegetação morta do cerrado a matéria prima para dá vida às suas obras. Encontra-se sepultado no Campo da Esperança, em Brasília.
Agricultor por profissão, mudou-se para Barra do Corda e depois para Brasília onde desenvolveu o talento de artesão, tirando as mais variadas formas de animais, pessoas, objetos e de tudo o que lhe viesse à mente ante à imagem da madeira retorcida do cerrado.
Suas obras estão espalhadas por vários estados brasileiros e também no exterior. Muitas histórias também estão relacionadas à suas obras.
Como esta que ele me contou que, certa vez ao terminar a escultura de uma onça pintada, ele a colocou em sua garagem já de tardezinha. Alguns meliantes que rondava a área, talvez, para assaltar, ao se depararem com a figura da onça e como a visibilidade já embaçada pela penumbra da noite, não entraram em sua residência, achando que se tratava de uma onça verdadeira.
Outras histórias acompanham a trajetória deste artista popular, que viu em sua arte a oportunidade de registrar no curso da história a sua própria biografia.
Transcrevo, abaixo, uma matéria publicada no Correio Brasiliense sobre Tio Pedro.
“Segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Os bichos que seu Pedro esculpia sob a inspiração do cerrado fazem parte do acervo do Museu Vivo da Memória Candanga. Seu Pedro transformar tronco retorcido em bichos, plantas, bonecos. Faz três anos que seu Pedro morreu, aos 86 anos. Ele dedicou seus últimos, longos e criativos 30 anos de vida a dar nova forma às árvores tortas do cerrado. (...). A exposição permanente das obras de seu Pedro no Museu tem texto de apresentação do inimitável e precioso TT Catalão.
Pedro, o pica-pau
TT Catalão
Quem é esse Pedro que não vê o toco caído, morto, abatido e dali tira bicho e invenção?
Neste cerrado devastado por tanta cobiça, teve um Pedro que olhava um pedaço de pau cortado sem se impressionar com a morte da mata. Criava. Ao tirar tudo que não era bicho daquele toco, nascia mais uma obra esculpida pelo martelo e formão desse pica-pau do cerrado.
O talento rude de Pedro só foi possível pelo impulso de invenção do povo brasileiro que não deve, jamais, ser domesticado pelas pressões estéticas, discutíveis, do mercado ávido por uma certa "mesmice de venda fácil", que forja um artesão utilitarista e modelado.
Pedro picava o pau para nos devolver a beleza de um cerrado que se queima e corta. Sua presença, agora permanente, em nosso Museu Vivo da Memória Candanga nos honra. Para celebrar o gesto maior da sua obra temos a manifestação de grandeza da sua família ao doar suas peças para marcar o quanto a invenção do povo brasileiro brota do seu meio generoso e solidário.
Nosso profundo agradecimento ao nobre gesto da família de Pedro. Ela demonstra o quanto a verdadeira elite do país não é a econômica nem a diplomada, mas os que sentem e pulsam fraternos por uma Brasília bela e de todos, como os bichos de pau do cerrado reinventado de Pedro. Onde havia o toco morto, Pedro dá o troco com bicho solto no imaginário da vida”.
A seguir outros sites onde ficou registrada um pouco da história deste ilustre maranhense.
http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20030618/cadc_div_180603_52.htm
http://www.overmundo.com.br/blogs/o-museu-vive-e-respira
http://www.ocaixote.com.br/galeria1/Gpedro.htm
http://www.dzai.com.br/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=22048
*Renilton Barros é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda(TB/6nov/2009/nº87)