Artigo
Televisão: A mídia e sua contradição
jornal Turma da Barra*Marcos Venicius
O controle está na mão de todos, criança, dona de casa e jovem, mas será mesmo que estes mantêm o controle?
Os que estão de posse dos controles são na verdade os controlados. O povo brasileiro dedica muito tempo a TV e suas programações. O que se torna motivo de preocupação se levado em conta ao que estão expostos estes telespectadores.
Tem-se uma angústia em relação à possibilidade de nova censura dos meios de comunicação – o que é absurdo sem dúvidas - no entanto, é notável que ha uma demasiada deturpação tendenciosa nos meios de comunicação brasileiros, afinal estas empresas não estão isentas das relações econômicas e políticas.
As programações quando não trazem atrações ofensivas a determinadas faixas etárias, seguem uma receita falida e pobre com dramaturgias e entretenimento de última escala. O resultado é o empobrecimento do caldo cultural do povo, que nessas vias vê possiblidades mais acessíveis de informação e divertimento.
O desenvolvimento da comunicação deveria assegurar uma melhor qualidade na colheita, preparo e divulgação de informações, infelizmente o que se vê é um aperfeiçoamento da seleção de fatos e detalhes que são ideologicamente mais interessantes a determinados grupos.
E o povo? Tudo o que assiste toma como verdade. Os meios de comunicação no Brasil integram um capaz sistema de adestramento social.
Se a educação e informação – as quais o povo tem acesso - não representam mais oportunidade de emancipação sócio cultural. O que faremos? Iremos diariamente consumir nossa ração informacional?
A mídia deve registrar e divulgar fatos, não caricaturar e ocultar. Não a mídia sitiada nos ditames políticos de interesses. A mídia deve ser de utilidade social e pública.
*Marcos Venicius Oliveira Silva é barra-cordense, estudante da faculdade de Serviço Social da Universidade de Brasília(TB/
25jan2012/nº 3)
Artigo
UFMA - Popular e pública
jornal Turma da Barra*Marcos Venicius
Aos jovens de baixa renda de todo o país a universidade pública parece algo inatingível. É como se tivéssemos um prêmio, mas não pudéssemos pegar. A forma de ingresso – o vestibular - perece para muitos ser a principal barreira que separa nossos jovens das universidades – que são suas por direito. Engana-se quem assim pensa o vestibular só é uma ferramenta de um vasto aparato de manutenção de posições a favor da exclusão social.
Há na sociedade uma ordem, que é composta de estamentos e classes, onde de acordo com seus códigos – a sociedade – define quem será gestor e quais são as pretensões em jogo. O jogo nada mais é que o caminhar da humanidade e a pretensão até então me pareceu ser o tão buscado desenvolvimento. Ainda de acordo com suas regras, deveria sobre este jogo pairar a justiça de modo que cada um possa conquistar seu lugar ao sol.
Nada de novo, tudo aqui já nos parece normal. Todos já têm naturalizada a idéia de que o mundo está cheio de oportunidades, basta somente esforço e se alcançará o que deseja. Perdoem-me, mas parece ingenuidade pensar que os detentores das rédeas do meio social entregariam seus postos aos vencedores de uma corrida de esforços. Não, jamais fariam isso, eles sim defenderiam a todo custo suas posições e privilégios. E assim o fazem.
- Marcos, mas se assim é, porque então temos educação à disponibilidade de todos?
Logo munidos dela em uma sociedade em que o trabalho intelectual é bem mais valorado que o braçal, todos podem conquistar seu lugar.
- Ok. Mas atentemo-nos para o detalhe que a educação não está à disposição de todos, até está, mas no papel. Na realidade a nossa sociedade não dá aos sujeitos tanta mobilidade quanto se pensa.
Quero meus caros leitores bem claro deixar, que o maior temor dos grupos dominantes não se encontra necessariamente na perda de posições no mercado de trabalho, por exemplo, afinal com suas gordas heranças não é de sua cultura pleitear vagas. O temor se instaura mesmo, sob a possibilidade de esclarecimento do povo por via da educação. Concordem vocês que o povo bem esclarecido e dotado de consciência crítica seria uma enorme pedra no sapato para os que pretendem lhe escravizar eternamente.
Os processos de mudança social costumeiramente se consolidaram através de mobilizações de inconformadas camadas sociais, como se sabe a mudança só é conveniente a aqueles que não se encontram satisfeitos com a presente situação.
Pensando assim, como a ordem sempre beneficia pequenos grupos, não é conspirador imaginar que estes grupos desenvolvam seus mecanismos para justamente assegurar a manutenção da ordem.
No que tange a seus mecanismos, basta imaginar a ilusão de meritocracia que se instalou aliada a também fajuta democracia. São apenas dois exemplos de ferramentas que parecem garantir a tão desejada justiça social, no entanto, prolongam a injustiça.
Dentro da ilusão de mobilidade social a educação sempre pareceu à ferramenta mais eficaz. Não importa se o sujeito é filho de lavrador ou dona de casa, se ele desde cedo tiver em sua cabeça uma sólida pretensão de subir na vida, nada o impedirá. Basta que ele vá à escola, se esforce e se dedique, logo alcançara seu sonho e poderá dar uma melhor condição de vida aos seus pais.
Se parece assim tão fácil, porque somente alguns poucos conseguem esta mobilidade? Não, não é fácil. Na verdade são impostas todas as barreiras possíveis.
O interessante para o sistema é manter a ordem, de acordo com a ordem filho de ignorante deve permanecer ignorante. Quem ainda não se convenceu que existem sim “tetos de vidro” que apesar de não ser uma lei, se executam como se fossem. O caminho que o filho do trabalhador pobre percorre até a chance de obter a tal mobilidade é longo e árduo.
O indivíduo nasce e em uma perspectiva otimista, ouve desde muito cedo do pai que deve ir a escola para se tornar um doutor. O pai é tudo que sabe, só tem uma impressão que caras engomadinhos e que não trabalham com a força dos braços se encontram naquele privilégio porque estudaram.
Ainda na perspectiva otimista, suponhamos que essa família more na zona urbana, onde se têm escolas públicas em boas condições. Diante de todo o otimismo é importante lembrar que esse jovem poderia estar situado em condições em que não haveria opções. Ele poderia, por exemplo, ter que trabalhar desde cedo, poderia optar por trabalhar, diante de suas ambições de consumo.
Poderia simplesmente desistir apenas pela ciência do calvário de sacrifícios que teria de percorrer para chegar a algum lugar. Imagine que através do esforço de sua família e o seu próprio, esse jovem tenha cursado toda a educação básica e concluído o ensino médio.
Perfeito mas nesses moldes – o ensino médio - ainda não representa nada de efetivo na sua caminhada rumo à mobilidade tão sonhada. Sem o ingresso na universidade nada foi feito. É neste estágio do calvário que o sistema ceifa os sonhos.
Vejam as realidades de jovens em todo o Brasil que atingem o ensino médio e não tem ciência da universidade pública. Não é raro de se encontrar este cenário. É na hora de disputar vagas no vestibular que nós percebemos o arcabouço que separa os bem nascidos dos oriundos das classes pobres.
A educação como um todo no Brasil é criticada, porém sabemos que desde a universalidade a escola pública tem uma posição inferior ao setor privado. Tanto esta situação é fato que os mais abastados enviam seus filhos para estudar no exterior.
Hoje temos um contexto bem mais brando, temos o PROUNI. Mas um modo de transferência da responsabilidade para o mercado, afinal é bem mais fácil favorecer os grandes grupos da educação superior, do que constituir um eficaz sistema de educação pública, que permita aos filhos dos trabalhadores competirem de igual para igual no vestibular.
Temos também o REUNI – que tenta inchar a universidade na marra, colocando pessoas sem que essas tenham nem mesmo salas ou professores – que aumenta o número de vagas.
Apesar dos pesares, é fácil compreender a ideologia de manter através dos séculos os filhos dos ignorantes meros ignorantes. Afinal um povo educado, consciente de suas situações e calejado de uma vida de sofrimento, jamais toleraria abusos escandalosos como os que ocorrem nos dias de hoje. Não é á-toa que o povo vê a tudo isso com conformidade, a falta de educação empobrece o caldo cultural. Logo a consciência política nem mesmo existe, sabemos de tudo, mas nada questionamos nada fazemos nada mudamos.
O resultado de toda essa armação sou eu caminhar por corredores e só ver roupas de marca, produtos tecnológicos de ponta, ostentações e exibições de todas as formas. O que se vê é um universidade pública que é particular de um pequeno grupo de privilegiados. Enquanto isso os jovens brasileiros oriundos das classes pobres nem no mercado de trabalho conseguem se inserir.
Sei que muitos podem levantar questões quanto ao modo que conduzi à explanação acima. Compreendam que percorri todo este árduo caminho, e tudo o que está escrito, está sob minhas perspectivas que podem ser brandas ou exageradas, a uma margem, sim há, mas no geral não é interessante a eles – os que se intitulam donos de tudo – que os pobres se emancipem.
Nasci em Barra do Corda (MA), desde cedo soube que por ali não poderia chegar longe, quem me dizia isso eram os mesmos que me teciam elogios. Hoje moro em Brasília (DF), longe de minha família e amigos e só agora de posse de uma ainda limitada consciência, consigo compreender o caminho que fiz para estar aqui.
Torço que Barra do Corda conquiste a UFMA, mas se ela servir apenas para que os alunos das escolas particulares não tenham mas que se destacar para São Luis (MA) ou Teresina (PI), para o povo de nada servirá, ela só reproduzirá a ordem, onde os impostos do trabalhador financiam a capacitação de seus algozes.
Não há indignação no meu pensamento. Já passei dessa fase, há sim posição e já demarquei a minha, sou aliado do povo. A emancipação que vim aqui buscar – Brasília – não se mensura em cifras. Que venha a UFMA, mas que não seja só pública, mas popular. Só solucionamos desigualdade tratando de forma desigual os desiguais.
As universidades públicas brasileiras precisam urgentemente de cotas sociais, do contrário nunca teremos médicos, engenheiros ou cientistas oriundos das periferias. Oriundos das classes baixas. O dinheiro do povo não pode formar seus algozes.
*Marcos Venicius Oliveira Silva é barra-cordense, estudante da faculdade de Serviço Social da Universidade de Brasília(TB/
27nov2011/nº 2)
Artigo
Sociedade de podres valores
jornal Turma da BarraO barra-cordense Marcos Venicius Oliveira Silva
é o mais novo integrante do jornal Turma da Barra.
Atualmente cursa Serviço Social na Universidade de Brasília.
Mas Marcos Venicius, quando criança, entre os 12 a 14 anos,
foi um militante mirim das causas ecológicas barra-cordenses.
Em setembro de 2007, ainda criança,
em um Encontro Cultural produzido pela colônia barra-cordense no Distrito Federal,
veio a Brasília no meio de artistas cordinos e produtores culturais,
quando arrancou aplausos ao dá depoimento sobre a ecologia em Barra do Corda.
Voltou a BDC com um computador de presente.
Marcos tem 18 anos, é filho de Francisca Oliveira, nasceu no povoado Lagoa do Coco,
e atualmente cursa o segundo semestre da faculdade de Serviço Social da UnB,
reside no bairro Estrutural, em Brasília.
A redação do TB saúda-o dizendo: - Seja bem-vindo Marcos Venícius.
Abaixo o artigo*Marcos Venicius
Não há duvidas, qualquer indivíduo deste mundo se questionado dirá certamente que esta sociedade está de cabeça para baixo, ou mesmo dirá “está tudo errado”. E realmente está senhores. Parece que de uma hora para outra tudo mudou, ou talvez sempre estivesse tudo errado, mas não tínhamos antes o parecer, o esclarecimento do por que as coisas ocorriam desse modo. Convido-lhes a conflitar pensamentos em torno dessa problemática tão recorrente no nosso dia a dia.
Uma sociedade é composta por indivíduos, dotados de direitos e deveres, sim essa pode ser a mais simples conceituação para esse fenômeno tão complexo, a organização em sociedade. Tendo isso como ponto de partida pense o indivíduo de modo isolado, porém sob uma caracterização generalista. O ser humano é condicionando, acredito eu, de instintos e cultura, logo sua conduta é pautada de acordo com os valores absorvidos através de sua educação em conjunto com seus instintos.
Bem, pensado esse conceito poderíamos dizer, que todo indivíduo que submetido a um processo de socialização adequado poderá, portanto tornar-se um admirável cidadão e consequentemente obter o êxito de anular seus maus instintos. Se assim fosse deveríamos então reunir todos os bons valores e modos aos conhecimentos fundamentais para assim educar bem todas nossas crianças e formar cidadãos conscientes, honestos e bem instruídos.
Pareceu pra você a solução pra esse caos? É não há como negar que parece uma precoce análise empolgante, mas não podemos esquecer senhores nem por um momento que antes da escola o indivíduo tem seus primeiros contatos com a sociedade através de suas relações primitivas, as familiares.
Esse fato complica todo o caminho apresentado acima. Aqui os casos se tornam completamente circunstancias, não tratamos de uma sociedade indígena onde todas as crianças nascidas serão submetidas aos mesmos rituais sob as mesmas condições. Nessa sociedade devemos entender esse processo como profundamente desigual, a família enquanto instituição social sofreu ao longo da história mudanças viris, vejam que na época em que o homem catava frutas e caçava feras, a família era toda a comunidade, pois as crianças eram de responsabilidade de todos e todos de algum modo contribuíam para a formação das mesmas.
Surgiu então à propriedade e com ela a ideia da herança, então se conhece a família nos patamares de hoje, uma figura materna que hoje necessariamente não precisa ser exercida por um indivíduo sexo feminino, bem como a figura de um pai que não necessariamente precisa ser exercida pela figura de um indivíduo do sexo masculino (bem essa é mais uma mudança que pode ou não influenciar na educação dos sujeitos, mas não trataremos disso hoje). Junto às figuras maternas e paternas temos os filhos, leia-se na sociedade de hoje os herdeiros.
Visto esse padrão geral de constituição de família, tratemos do que é realmente interessante, o modo como se dá a formação das famílias na sociedade. Este processo costuma se dá nas classes inferiores de modo não planejado, em todos os campos que se possa imaginar, seja no contexto dos relacionamentos seja na situação econômica que não ofereça conforto e possibilidade de reprodução a esse grupo de pessoas.
Essas situações podem ser cruciais quando temos a inserção de uma criança em meio a um relacionamento, contexto de violência, pobreza e mesmo uma conduta ignorante por parte dos pais são fatores condicionais que afetam incisivamente a educação deste novo indivíduo. Talvez este retrospecto explane o porquê de uma sociedade tão caótica, afinal, não esperemos que aquelas crianças sujeitas a todas as formas de exclusão possam constituir uma sociedade harmônica e equilibrada.
No entanto da forma que foi colocada, parece que a culpa do problema do mundo está sobre aqueles que não são bem nascidos, mais uma família com recurso material pode também não ser um grupo coeso, acontece com mais frequência do que se pensa, no entanto um filho de pobre neste mundo tem muito mais o que vencer para emancipar-se.
Tratei até agora da formação adquirida através da grupo familiar, viu-se que os valores perpetuados são diferentes de acordo com a formação desse grupo. Tratado esta etapa da educação vamos ao ensino nas escolas. O contato com o conhecimento não foge à regra, se dá de forma completamente irregular, vejam que em uma cidade temos crianças que podem frequentar escolas públicas, que sofrerão variações de acordo com o público alvo, que pode ser uma comunidade de favela ou de um bairro classe média.
Nessa mesma cidade crianças frequentarão diferentes escolas particulares que no Brasil costumam oferecer educação com qualidade a superior as escolas públicas por infinidade de motivos, mas são várias escolas com métodos e aparatos diferentes e ainda assim pode haver crianças ainda mais abastadas que desfrutam da oportunidade de frequentar escolas no exterior. Percebem como a desigualdade influencia circunstancialmente no processo de formação do indivíduos, sim meus caros como vimos a sociedade é refém de um complexo e desigual processo de formação, talvez essa realidade justifique o resultado que temos hoje.
A importância em dissecar o processo de encontro do indivíduo com a cultura se encontra no fato de que, é a cultura quem carrega os símbolos e valores de uma civilização. Entendo meus caros que a cultura ocidental tende a decadência, afinal ela se formou sobre um processo de destruição de importantes valores comuns, enquanto se arquitetavam valores individuais que ao fim beneficiam uma pequena parte da composição social.
Esta sociedade de hoje foi construída sobre os preceitos de opressão, ambição, individualismo e violência. Ao preço do desenvolvimento e enriquecimento de alguns, milhares de vidas foram perdidas, culturas exterminadas e povos saqueados, é deprimente pensar que os valores que levaram homens a destruir seus semelhantes lá nos primórdios da história, permanecem até os dias de hoje.
A leitura que se faz senhores é que os instintos humanos mais desprezíveis passaram a compor a educação e se tornaram valores sobre roupagem desta cultura de exclusão social, onde para um ter, alguém produz mais geralmente ambos não podem desfrutar de tal conforto. Essa cultura que há muito se cultiva é assustadora, pois à medida que cresce a ambição humana diminui a valoração do próximo, de modo que vemos naturalizadas condições bizarras a uma civilização tão evoluída.
Diga, se não é conflitante pensar em milhões de pessoas que não tem acesso a água potável em um mundo que a tecnologia já torna água do mar adequada para uso, entendo que quanto mais podemos criar menos queremos dividir, afinal a lógica aqui é de acumular e o direito fundamental é o da propriedade privada. Se o desenvolvimento nos destituiu dos valores mais fundamentais a perpetuação da espécie, sugiro um retrocesso aos dias em que todos colhiam e todos comiam, onde as crianças tinham as mesmas condições, onde não havia classe se os líderes só desfrutavam do privilégio da responsabilidade, do contrário logo nosso desenvolvimento será ruína na paisagem.
Não precisamos de cifras, pois elas não garantem o bem comum, precisamos de valores comuns a todos, valores que incluam as pessoas e não que as dividam, valores que nos façam pessoas felizes e não ferramentas de produção e/ou consumo. Abdico indubitavelmente de todas as conquistas materiais desta decadente sociedade em troca das culturas destruídas, em troca dos valores sepultados, em trocas das vidas em troca do amor. Só um conjunto sólido de valores constrói uma sociedade desenvolvida, taxas gritantes de acúmulo e desigualdade, humanamente nada representam.
*Marcos Venicius Oliveira Silva é barra-cordense, estudante da faculdade de Serviço Social da Universidade de Brasília
(TB/
6nov2011)