Artigo
A consciência da morte
em tempos pós-modernos
jornal Turma da Barra*Luiz Carlos
O famoso romancista francês Gustave Flaubert, em uma de suas inúmeras cartas, escreveu: “que grande necrópole é o coração humano! Para que irmos aos cemitérios? Basta abrirmos as nossas recordações; quantos túmulos!”
Esta visão temerosa encaixa perfeitamente no século XX com as incríveis atrocidades cometidas ao longo de várias guerras, particularmente nas mundiais. Alguns fazem questão de esquecer ou negar a sua existência.
Hodiernamente, nas nossas ágoras pós-modernas e reluzentes Belle Époque, estamos intencionalmente perdendo uma parte considerável da capacidade de abrir as recordações, entre elas as tumulares. A velocidade impiedosa do cotidiano não oferece tempo para recordações. Se não temos tempo para cuidar da vida como deveria, menos ainda teremos condições de cuidar da morte.
Não faz muito tempo, quando um dos nossos morria, parávamos tudo o que estivéssemos fazendo, inclusive o trabalho. O sentimento pelo outro que nos deixava neste mundo era materializado em um clima de pesar e de solidariedade pela família enlutada. As pessoas ficavam, em volta da família, grudados, exalando solidariedade e emoção. Outro aspecto era a oração sincera para purgar o impacto e mostrando a fé imortalidade. E hoje? Velórios sem comida, cachaça e um bom papo é chato e sem sentido.
A humanidade nunca se conformou com a morte. A presença do cuidado com os mortos, presente nos túmulos, inscrições, ossos agrupados ou corpos enterrados juntos, demonstra simbolicamente o desejo de o homem superar o que parece ser invencível. A própria palavra cemitério, derivada do grego, significa “lugar para dormir, descansar em paz”. Perigosamente estamos perdendo esse sentido e não tendo a habilidade necessária para meditar sobre a vida, não poderemos descansar em paz.
Em tempos de pós-modernidade e de intensa inovação tecnológica, só falta o velório virtual ou, como já acontece em alguns mais “avançados”, o velório intitulado pomposamente “drive thru”. Como funciona? Entra-se com o carro, coloca-se a mão sobre o corpo do falecido (um sensor lê tuas digitais para enviar um agradecimento formal), aperta-se um botão com a oração que se deseja fazer e...vá com Deus (?). Ainda dá tempo? Parece simplesmente ridículo.
Termino com o seguinte alerta: “E se fosse isso perder a vida: fazermos a nós próprios as perguntas essenciais um pouco tarde demais?” (Gilbert Cesbron).
*Luiz Carlos Rodrigues da Silva é filósofo e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda (MA)
(TB/31jannº122)
Artigo
A identidade em tempos de crise
jornal Turma da Barra*Luiz Carlos
Proponho no artigo desta semana uma temática bastante interessante, pertinente e hodierna. A análise da identidade numa perícope filosófica e eclética. No mundo acadêmico e em meios intelectualizados, a emblemática questão da identidade está sendo amplamente discutida e revisitada. Em tempos de pós-modernidade ou de “modernidade líquida”, a discussão se torna mais profunda na “crise de identidade” que passa a própria identidade no indivíduo não identificado nos processos centrais das sociedades pós-modernas.
Esta análise meio louca atinge a dimensão geográfica, histórica, cronológica, psicológica, teológica, religiosa, sociológica, filosófica e, portanto, minam os pontos de ancoragem que sustentavam os indivíduos na Oiko mundial. A partir desta prévia, observa-se um alto teor de complexidade e aspectos essencialmente contraditórios na análise pós-contemporânea.
Nas últimas décadas do século passado, aspectos como gênero, etnia, pertencimento, nacionalidade, sistema, desigualdade social, massificação da arte, esgarçamento das relações afetivas, declínio do espaço público, fetichismo mercadológico, volatilização do pensamento, dialética das forças produtivas, entre tantos outros, geraram uma visão dúbia do indivíduo e a negação do sujeito enquanto identidade integrada. A fragmentação do sujeito na “modernidade líquida” provoca a ausência da identidade pessoal e o sentimento “real” da não ontologia imanente ao ser. Isso desencadeia um processo chamado de “descentração do indivíduo”. O que prevalece agora no indivíduo é a fuga (incerteza) da sua identidade enquanto ser físico-social (lugar no mundo social) e psico-cultural (lugar no mundo cultural).
Fica complicadíssimo definir, no mundo pós-moderno, qualquer núcleo ou essência de nosso ser (diluído) e fundamentar nossa existência como sujeitos humanos. O “eu real” foi modificado num diálogo permanente com a realidade externa cultural e sem relação com os anseios internos do sujeito em crise de identidade. O sujeito se fragmenta na sua identidade contraditória e na não capacidade de se olhar na nova paisagem social “líquida”. Gera, paradoxalmente, a totalidade para a qual nada permanece e todo e qualquer conteúdo se volatiza em pensamentos e em pseudo- identidade.
A identidade em crise torna impossível uma ontologia do presente. O processo de gestação de identificação, espectro de projeção da identidade sociocultural, é mutável, emblemático e não permanente. Como o sujeito pós-moderno não tem uma identidade fixa, mas é volátil no tempo e no espaço, ele não valoriza e descarta a presença do passado, minimiza o presente e desconfia do futuro. A identidade se torna móvel e deslocada de uma realidade temporal única e coerente. O horizonte do sujeito é uma multiplicidade e cambiante de identidades possíveis. Os “lugares de experiência” que teriam sido importantes para a nossa identidade e que, de algum modo, constituíram o presente tal como o conhecemos e das quais poderíamos nos identificar – temporariamente desaparecem e se tornam irreais.
*Luiz Carlos Rodrigues da Silva é filósofo e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda (MA)
(TB/17jannº121)
Artigo
Mensagem de ano novo
em tempos de incertezas
e de novas profecias
jornal Turma da Barra*Luiz Carlos
O renomado pensador francês Edgar Morin, no ano 2000, publicou o fantástico Sete saberes necessários à educação do futuro. Nesta obra ele apresenta os conhecimentos imprescindíveis para a hermenêutica do mundo no alvorecer do novo milênio.
Com a chegada iminente do ano de 2012 fica evidente que um dos mais importantes é saber ler com exatidão, no âmbito etimológico e semântico. Há inúmeras profecias escatológicas rondando o ano que se aproxima. Apregoa-se que o mundo acabará em 21 de dezembro de 2012. O novo embasamento é o calendário Maia. Observa-se, porém, uma fantástica incapacidade de interpretação da linguagem mitológica. Aliás, é bom recordar que não é a primeira vez que isso acontece. A hermenêutica historiográfica está repleta destes exemplos: fundamentalistas cristãos, muçulmanos ou judeus que dizimaram milhões de seres humanos em nome de Deus.
Hodiernamente o que está acontecendo em relação ao calendário Maia é semelhante. Nas três últimas décadas vários “profetas” identificaram na linguagem iconográfica do calendário Maia alusões de hediondos cataclismos para o século XXI. Portanto, o fim do mundo tem uma nova data. Novamente vivenciamos o trágico “espetáculo” do Juízo Final. Desta vez aparece um fato insólito, que é o de não se mencionar a volta do Messias, Jesus Cristo. O fato pode ser explicado porque a profecia está relacionada à civilização pré-colombiana Maia. Esta civilização se desenvolveu na Península de Yucatán, no sul do México, e na América Central, em regiões que hoje fazem parte da Guatemala, de El Salvador e de Honduras. No âmbito teológico eles adotaram uma postura politeísta.
Para entendermos melhor o que retorna nestas novas hermenêuticas apocalípticas é necessário analisar um dos diversos elementos da cultura maia que chegaram até os nossos dias: seu método de contagem do tempo. Eles idealizaram dois calendários: o religioso, com base na Lua, chamado Tzolkim (relacionado a aspectos da vida humana), tinha 260 dias divididos em 13 meses com 20 dias (kins) cada; o outro, Haab, mais parecido com o nosso, era o calendário agrícola (que organizava as etapas do plantio e da colheita), com 365 dias repartidos em 18 meses de 20 dias. Hábeis matemáticos criaram um complexo sistema de sincronização – a “Roda Calendárica” – desses dois calendários, nada fácil de explicar. Em linhas muito gerais, a cada 52 voltas do Haab (um ciclo de 18.980 dias) correspondia um novo século, quando era realizada a cerimônia do fogo novo. (GILBERT, Adrian. As profecias maias).
Segundo Anthony F. Aveni, professor de Astronomia e de Antropologia da Colgate University, de Nova York,para os maias, o fim de um ciclo é um momento de renovação, o início de uma nova era – o que desencadeou uma onda de mitos sobre o fim do mundo. O principal diz que o mundo acabará em 21 de dezembro de 2012. O dia é significativo no calendário justamente porque indica o fim de um ciclo e o início de outro, mas nenhum registro daquela civilização autoriza a afirmar que o mundo acabará naquela data.
Outras versões dão conta de que um tal Planeta Nibiru (ou Planeta X) estaria em rota de colisão com a Terra, o que não seria possível, pois, além de não haver dados concretos sobre a sua existência, se fosse entrar em choque com a Terra no ano que vem, hoje já poderia ser visto a olho nu, segundo o astrônomo Marcelo Gleiser. O professor de Astronomia e Filosofia Natural do Dartmouth College, nos Estados Unidos, ainda desmente a suposição de que um alinhamento galáctico envolvendo o Sol, a Terra e o centro da galáxia destruirá nosso planeta. Só que esse fenômeno acontece todo mês de dezembro. Observa-se que a maioria das profecias maias não passa de interpretações equivocadas dos mitos dessa cultura.
Tempestades solares, inversão dos pólos magnéticos da Terra, erupção de um supervulcão, cataclismo planetário. “Esse frenesi todo é irracional”, garante o físico brasileiro Marcelo Gleiser. Mais uma vez fez-se presente a poderosa indústria cinematográfica norte-americana, que levou às telas “2012: O ano da profecia” (2009), uma superprodução que consumiu 200 milhões de dólares. Sucesso de bilheteria em vários países, como o Brasil, o filme mostrou que os mitos nascidos da credulidade humana ainda são generosas fontes de lucros e continuam fascinando a humanidade.
Neste novo cenário, ouso desejar um Feliz Ano.
*Luiz Carlos Rodrigues da Silva é filósofo e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda (MA)
(TB/10jannº120)
Artigo
Devaneios utópicos
em tempos de crise
jornal Turma da Barra*Luiz Carlos
Quem é o homem? O homem é um ser no mundo, dotado de consciência utópica e que se descobre como não sendo aquilo que deveria ser. Que paradoxo incrível e concomitantemente instigante. O eu possível é sempre maior que o eu real; sendo assim, ele estará sempre na dimensão do devir. O ser acabado é simplesmente um protótipo em projeto. Neste aspecto, que é essencialmente filosófico, o homem se torna um problema para si mesmo. Nesta perícope, é barreira a ser superada. Ser mais, e não apenas ser, é o desafio que se acortina no enredo e no palco da sua existência.
Ao mesmo tempo, na concepção de Martin Heidegger, ele é um ser no mundo. Um ser vivendo em sociedade. Também sobre ela o homem projeta sua consciência utópica. Na prática isto quer dizer que ele descobre sempre a sociedade como algo inacabado e por isso mesmo a ser transformada. A sociedade possível, aquela idealizada está muito distante da sociedade real. Esse fato constitui o marco fundamental de todos os grandes utópicos sociais desde Platão, passando pelo grande doutor da Igreja Santo Agostinho de Hipona até filósofos hodiernos. Portanto, a sociedade também se coloca diante do homem como desafio. É importante ressaltar que esse relacionamento com a sociedade desenvolve-se numa dimensão axiológica e moral.
É preciso resgatar a crença na possibilidade de o homem entrar numa nova esfera de vida, liberta de toda forma de alienação e desumanização. Essa nova fase incluiria a libertação das correntes que instrumentalizam sua mente, seus instintos e sua vida. A cultura encaminharia o homem a um verdadeiro humanismo. Ele a desenvolve, colocando-a nas exigências do seu contexto, que não é mais o das ideologias, nem o das supostas virtudes, e sim o de um fenômeno maior, cuja meta é elaborar uma sociedade universal humana. Uma civilização que será formada com a participação científica e tecnológica, filosófica e literária, axiológica, moral e artística de todas as civilizações diferentes; que será criada para o desenvolvimento de todos os continentes e todas as etnias.
É mister ter presente que o homem é um ser pessoal e histórico. Deve, urgentemente, assumir, experimentar, considerar, na sua situação atual, a humanidade, o mundo e a si mesmo, mas antes deve torná-lo, dominá-lo, plasmá-lo, imprimir, de um modo todo especial, sua forma própria. Portanto, humanizá-lo sempre mais. Utopia? Não. Simplesmente exercício da sua consciência utópica.
*Luiz Carlos Rodrigues da Silva é filósofo e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda (MA)
(TB/22nov/nº119)
Artigo
Divagações meramente filosóficas
jornal Turma da Barra*Luiz Carlos
Ao entrar no quiosque Cacau Show, no Shopping São Luis, domingo próximo passado, veio à minha mente a ideia de que a vida pós-moderna se torna uma loja de chocolates para apetites mutantes, principalmente pelo marketing, com uma voracidade incontrolável.
Estamos sempre às margens da inclusão ou da exclusão. A palavra de ordem é estar atento, mas sempre correndo o risco da vista inesperada da depressão. Uma multidão insegura na companhia de indivíduos inseguros. Alteridade nesse cenário? Nem pensar. Diametralmente oposto à solidariedade entre inseguros, prolifera a insegurança, a irritação, a indiferença, a ira, a deslealdade. Dizem por aí que tudo isso é liberdade. Mas não há escolha! Temos a percepção frustrante que de que somos conscientemente incapazes de mudar algo.
Nesta situação de insegurança, é imprescindível saber apresentar-se, oferecer-se, vender-se na existência presente na realidade. Ser “líquido”, maleável, competente, serviçal (?), amálgama em um tempo cruel e insensível. E quando alguém chegar e assertivar: você não serve mais! Você é supérfluo. Você somente atrapalha! Que absurdo num mundo que banalizou o absurdo.
Tudo isso se tornou tão normal. Incrivelmente normal. Cinicamente, cruentamente normal. Os céticos dizem que não pode ser diferente. O que resta então? Iludirmos-nos hilariantemente que somos livres enquanto nos adaptamos à incrível condição de sermos livres escravos.
Paradoxalmente, não sabemos mais formular as perguntas que são importantes. Somos estupendamente modernos para reconhecer a nossa condição de obsoleto. Este fato pode nos enganar a respeito de nossa originalidade e podemos doxologizar que estamos mudando sempre. E o que mais? Nossa humanidade também? Nossa liberdade? Nossa felicidade? Isso nos fornece um elemento a mais para podermos pensar no que acontece e nas possibilidades que temos para mudar o presente. O presente, que presente? Não é o futuro? Que dúvida cruel!
*Luiz Carlos Rodrigues da Silva é filósofo e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda (MA)
(TB/15nov/nº118)
Artigo
A moral pelo viés eclético
jornal Turma da Barra*Luiz Carlos
Começo o meu artigo com a seguinte indagação: é fácil lidar com a ideia de que os valores mudam com o passar do tempo? Fica complicado usar com sentido palavras como ética ou moral para identificar a noção de relativismo, porque variam segundo a cronologia ou de acordo com o grupo social. Nesse sentido, a concepção de ética profissional se torna uma monstruosidade. Do ponto de vista filosófico, a ética aspira a uma validade holística. Talvez não seja universal, mas não é relativa na sua totalidade.
Mas como lidar com a verdade incômoda de que os veredictos sobre os mores mudam? Não faz tanto tempo em que a homossexualidade ou a emancipação feminina fossem veementemente condenadas. Em muitas sociedades a escravidão não somente era aceita como também justificada. Há a justificativa econômica, técnica, sociológica, filosófica e até exegética. Conseguimos então justificar a escravidão? Do ponto de axiológico, não. Porém, percebemos que a questão é bastante complicada e não uniforme na sua interpretação.
Quando abordamos a ética, acredito que este seja o grande desafio. De forma geral, desejamos valores que sejam universais. Em tempos hodiernos percebemos esse desejo na enunciação de novos valores, novos direitos e também numa tentativa de ampliar a moralidade. Diante desse cenário de mutação constante, fica quase impossível segui-los. Veja o seguinte exemplo: alguns anos atrás, fumar era normal e sinônimo de status quo. Hoje, essa prática é inaceitável. Vivemos um momento complexo de deslumbramento e incerteza.
Temos a tecnicização do humano. O processo de tecnicização que a humanidade empreende por meio da história traz desdobramentos na sociedade, além de conflitos bioéticos, éticos e políticos. A ética, nessa abordagem, se faz presente na incerteza quanto às conseqüências deste mesmo processo dinâmico e sistêmico de produzir e absorver tecnologias indiscriminadamente. Na pós-modernidade começamos a nos misturar física e culturalmente à tecnologia. Como estabelecer um novo padrão ético onde findaria a humanidade e onde começariam as nossas tecnologias? Não tenho a intenção de dá uma resposta à pergunta que coloquei no início deste artigo. Muito menos a Filosofia. É melhor apontar os estigmas. A partir daí podemos ampliar o discurso sobre a ética de forma positiva.
*Luiz Carlos Rodrigues da Silva é filósofo e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda (MA)
(TB/9nov/nº117)
Artigo
Conhecer o conhecimento
jornal Turma da Barra*Luiz Carlos
Conhecer é a questão crucial de nossa existência. Sem aprendizado, nem uma espécie sobreviveria. O que distingue o ser humano dos demais seres vivos é exatamente a capacidade de conhecer e aprender, acentuada sobretudo por meio da linguagem e do pensamento. O conhecimento constitui a essência da civilização. Estudando as civilizações egípcia, grega ou romana, percebo que civilizações marcantes em quaisquer épocas ou lugares são as que mais criam, compartilham e aplicam conhecimento.
Compreender o mundo não só depende de como se realimenta o conhecimento como também da nossa percepção, pois o ato de conhecer exige sofisticação perceptiva. Conhecer é romper com a ignorância, com a superstição, com a credulidade, com preconceitos e hábitos culturalmente arraigados e que perpetuam a nefasta dependência de pessoas, de organizações ou de povos. O conhecimento é o principal combustível da evolução e da revolução.
Não é simples lidar com o conhecimento. Há vinte e cinco séculos filósofos debatem a noção de conhecer e seus processos. Embora o termo conhecer derive do latim cognoscere e vincule-se diretamente à cognição, o uso contemporâneo indica outros significados. Quando dizemos “conheço fulano” ou “sei quem é”, significa relação com alguém de pouca familiaridade, quase um desconhecido.
Podemos inferir que na noção de conhecimento estão não só a percepção como também o entendimento e compreensão, competências tanto individuais quanto coletivas e a capacidade de aplicar as competências.
*Luiz Carlos Rodrigues da Silva é filósofo e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda (MA)
(TB/25out/nº116)
Artigo
Por que defendo a UFMA
em Barra do Corda
jornal Turma da Barra*Luiz Carlos
E incontestável a importância da UFMA em Barra do Corda. É a educação que capacita as pessoas para viverem melhor e para desempenharem os seus papéis na sociedade.
Porém, com a globalização, esse mundo interconectado em que vivemos vem promovendo cada vez mais o intercambio tecnológico, econômico, social e cultural, fazendo com que haja uma necessidade cada vez maior da sociedade de aumentar a capacidade de adquirir, processar, divulgar e aplicar o conhecimento. E é a universidade que tem esse papel, de criar e transmitir conhecimento.
As universidades atuam basicamente de três maneiras na comunidade mundial. Através da pesquisa, cria novos modelos, novas práticas, novos saberes que contribuem para o desenvolvimento social. A universidade é a instituição capaz de impulsionar o crescimento das cidades de forma sustentável. É a universidade que faz do conhecimento um bem público. É a universidade que através da investigação e do ensino pode estabelecer modelos de vida que respeitem mais o ser humano e a natureza que o cerca.
É a universidade que pode estimular uma atitude mais positiva em relação à diversidade cultural e ambiental, que pode difundir os processos de defesa do meio ambiente, que pode fazer com que se utilize o conhecimento de forma responsável, contribuindo para a prosperidade e o bem estar da sociedade e do planeta.
As universidades contribuem também, ativamente, para o desenvolvimento social, graças ao fortalecimento e a interação do meio universitário com os agentes externos, em particular com as comunidades e com as empresas locais. E, além disso, é a universidade quem qualifica as pessoas para o mercado de trabalho, que prepara os responsáveis para as decisões vindouras e que forma os professores que atuarão em todos os graus de ensino e serão responsáveis pelo alicerce da mudança que queremos e precisamos para um futuro melhor.
As universidades podem intervir na reorientação dos planos de ensino da educação básica e da profissional. As instituições de ensino superior não só podem questionar de forma crítica o sistema educativo, como também devem desempenhar um importante papel na criação de processos de aprendizagens inovadoras, que incorporem os novos meios de comunicação e as novas tecnologias de informação que permitam melhorar a aquisição de conhecimentos durante toda a vida.
Por isso, acompanho, faço parte do grupo pró-UFMA e luto para que tenhamos um Campus da UFMA em Barra do Corda. Defendo uma educação como elemento de mudança e capaz de transformar radicalmente o marasmo em que se encontra a nossa cidade.
Não podemos aceitar que uma parcela mínima da população barra-cordense tenha acesso ao ensino superior. Para que Barra do Corda alcance o desenvolvimento econômico e social que todos nós desejamos, é preciso que cada vez mais barra-cordenses se qualifiquem e cheguem à universidade. Tudo isso é pensar grande.
*Luiz Carlos Rodrigues da Silva, filósofo e historiador, membro da Arcádia Barra-Cordense.
(TB14dez2010/nº81)