Artigo
O equívoco em ser ateu
jornal Turma da Barra

*Fábio Mota


            Não é fácil falar quando o assunto a ser discorrido é Deus. Existe o risco de você ser afastado de certo grupo de amigos por declarações sobre o tema. É complexo. Você pode ser qualquer coisa e talvez exista uma chance de ser aceito, mas se disser que é ateu. Pode ser que na próxima reunião não seja mais bem-vindo.
            Eu, a título de exemplo, prefiro ficar sem resposta quando a pergunta não tem resposta. Enquanto os religiosos preferem atribuir tudo a Deus. Coisas boas e ruins. “Deus sabe o que faz“.
            Nesse caso dar para entender os ateus. Mas o grande erro das pessoas atéias é achar que são mais inteligentes. E no final das contas acreditam ou possuem manias ainda mais absurdas. Sofrem da mesma maneira: paixão, amor, dor...
            Também confesso que já passei por momentos acreditando em ser ateu. Mas já faz alguns anos. Não é nenhuma novidade ser um ateu. Não acrescenta ou diminui coisa alguma. São pessoas como qualquer outra.
            Deus é uma questão de fé. Se você acredita, acredita. Se não, é difícil que alguém consiga botar essa fé em sua cabeça. A não ser através de um susto. Muitos que dizem ter fé, quando na verdade sentem bastante medo de algum dia ir parar no inferno.
            Uma das razões alegadas para não acreditar num Deus seria o grande sofrimento que existe no mundo. Existem pessoas mais felizes que outras, daí, o mundo é injusto. Parece criancice, não é mesmo?
            Depois de ler Nietzsche, um filósofo alemão, passei acreditar noutra “religião”. A idéia de Espírito Livre me deixou muito feliz. Eu não tinha mais que se preocupar em ser ou não ser ateu. Em ser ou não ser religioso. Decidi viver livre dos dois pensamentos. Então eu disse pra mim mesmo: “Não tenho que acreditar em nenhum”. Minhas noites ficaram muito mais tranqüilas.
            Acredito que a maioria dos ateus foram crianças infelizes. E dizem que não acreditam em Deus como uma forma de protestar. Uma forma de dizer que é revoltado com um monte de coisas. Mas o pior é que isso não resolve nada.
            Falar mal de Igrejas e religiosos não melhora o mundo. Um mundo só de ateu não será necessariamente melhor. No fim das contas o melhor que podemos fazer é respeitar as crenças de cada um.

*Fábio Roberto Soares Mota é estudante de Matemática da Univima, mora em Barra do Corda.

(TB2
8jul2010/nº29)

 

 

Artigo
Eleitores sem escolha
jornal Turma da Barra

*Fábio Mota


            Não temos outra saída, daqui até outubro o assunto será o mesmo, um só: eleição. Devemos acompanhar e ver qual o engravatado com maior cara de pau. Aquele que vai à sua casa, toma seu tempo e lhe convence que dessa vez vai ser diferente. A utopia toma conta da cabeça das pessoas outra vez, então outra vez acreditamos.
            Será um tempo de deus-nos-acuda. Os futuros deputados, senadores e governadores vão nos visitar e jurarão amor eterno. Dirão que no mandato passado não foi possível, mas agora a estrada que passa pelos municípios cordinos Centro dos Ramos, Barro Branco, Capim, Sumaúma da Mata e vai até a cidade de São Raimundo do Doca Bezerra será esfalfada. Aguardem, vão garantir. 
            Até agora a justiça eleitoral do nosso estado já impugnou 108 candidaturas, quer dizer, eles ainda podem recorrer e talvez no final todos possam concorrer. Mesmo assim isso é motivo de comemoração já que a Urna, mesmo eletrônica, mesmo com o voto secreto, por vezes não faz justiça.
            Realmente não tem outro jeito, temos que acompanhar a política, pois ela nos atinge, queiramos ou não. Não adianta querer ficar de fora, não participar já é uma forma de participar, porém, covardemente. 
            Tem a dança dos partidos, onde estes escolhem seus preferidos, mas eles não são tão diferentes e o sistema os obriga a entrarem no jogo, então vamos ter fé como alguém que joga na Mega-Sena. É, estamos sujeitos a uma espécie de loteria.
            Mas não vamos levar tão a sério o fato político, embora nos atinja no bem e no mal, geralmente no mal. É um ou outro, o eleitorado não pode fazer muita coisa na hora de votar. Para presidente, por exemplo, é Dilma ou Serra. Eu escolheria o Ciro Gomes.
            No mais será a lengalenga eleitoral, típica de um jogo que muitos preferem acreditar que seja democrático. Onde o que está por baixo dos panos é que é interessante, tem muitos financiamentos e muita grana envolvida.
            Não sei se estou sendo um bom cidadão com essas idéias, pois povo de forma geral vota com esperança. Mas quando se acompanha o teatro maldoso que existe entre os partidos políticos, não vejo outra coisa além de eleitores sem escolha.

*Fábio Roberto Soares Mota é estudante de Matemática da Univima, mora em Barra do Corda.

(TB
21jul2010/nº28)

 

 

Artigo
Tresidela e o esgoto a céu aberto
jornal Turma da Barra

*Fábio Mota


            Existe bastante fatos para mostrarmos que Barra do Corda está melhor do que em outros momentos passados. Não porque a propaganda 24h na TV está dizendo. Está melhor em questões de aparência, não em questões essenciais. E cabe citar que esse progresso aparente não foi feito pelos governantes que deveriam fazê-lo, mas apesar deles. No bairro Tresidela o esgoto nas beiras das calçadas denuncia essa realidade.
            Está certo que cerca de 50% da população brasileira vive sem rede de esgotos, enquanto a outra metade encara isso com a maior tranqüilidade possível. Mas aqui na cidade essa porcentagem demonstra ser maior.
            O povo tem sua parcela de culpa. Poderiam ajudar fazendo sumidouros, mas na maioria das casas a porcaria que sai das torneiras é despejada nas ruas pelos moradores. Depois cada morador vai empurrando a sujeira para baixo e o destino final dessa imundice é o rio.
            Mas o grande problema é  a característica do trabalho a ser realizado. Pois segundo a sábia política atual, obra que não se ver é obra que não existe. Então quem é o grande idiota político que vai fazer um trabalho subterrâneo, um trabalho que não existe?
            Uma rede de esgoto exigiria um grande esforço dos marqueteiros, seria preciso mostrar a obra durante a construção, tirar muitas fotos, fazer muitos vídeos, mas logo seriam esquecidos e talvez não gerasse voto algum. Pois na hora da inauguração ninguém estaria vendo os canos debaixo da terra. E mais uma vez ratificando, obra que não se ver é obra que não existe.
            Sim, não é preciso pensar muito sobre certas realidades para constatar o equívoco que é dizer que Barra do Corda é uma cidade bem-sucedida. Principalmente quando esses problemas são tratados com a maior naturalidade, em especial por aqueles que têm a obrigação de resolver o problema.
            Não sei se acontecerá, mas espero ainda estar vivo quando aquelas envolventes e saltitantes propagandas que só faltam saltar da TV para o sofá de nossas casas a fim de nos convencer, anunciarem imagens de dentro de uma rede de esgotos, construída na Barra, no bairro Tresidela.

*Fábio Roberto Soares Mota é estudante de Matemática da Univima, mora em Barra do Corda.

(TB7jul2010/nº27)

 

 

Artigo
A placa dos ricos não é respeitada
jornal Turma da Barra

 


Placa proibindo veículos pesados no centro da cidade

 *Fábio Mota


           
Quem se dirige ao centro de Barra do Corda, pela rota dos veículos, vindo da Tresidela, não tem como não vê a placa. Sim, o texto de hoje será sobre uma placa. Falaremos de uma placa apenas. A placa que proíbe caminhões, baú e carretas no centro de Barra do Corda.
            Eu sei que aquela placa foi construída e colocada ali com a intenção de sensibilizar as pessoas (mais especificamente, os motoristas) de que o centro não é adequado para tráfego de carros pesados. Pois as pontes já estão velhas e as ruas não têm estrutura, largura ou capacidade para suportar os carros dos ricos.
            O que eu não sei é se foi uma boa idéia. Ninguém que tem um carrão grande, pesado ou um baú respeita os dizeres escritos na condecoração. Será que nunca viram que aquela solitária placa implora por um minuto de atenção?!
            Já faz alguns dias que observo. Literalmente falando, elas não servem para nada. Sabe aquele aumento do salário mínimo que acontece todos os anos? É mais ou menos a mesma coisa. Freqüentemente vejo os carros pesados descendo para o centro ou voltando do centro da Barra.
            Presumo que não exista alguém, além de mim, que tenha percebido isso. Ninguém se revolta, ninguém se mobiliza... Quando os ricos não andam na linha. É normal. Estamos ocupados, nos preparando para o próximo carnaval.
            Sempre que passo por lá, quase todo dia, sinto o quanto é difícil ser um pobre honesto. Num lugar onde aprendemos a mentir, enganar, roubar, tirar vantagem desde cedo, o que acontece de nojento debaixo de nossos narizes não tem importância. É normal. Alguns, ao lerem estas palavras podem dizer: “tem coisa pior”. É, eu também sei disso.
            Bom, mas agora é a Copa do Mundo e ninguém ta preocupado se muitas crianças não assistirão aos jogos por estarem se prostituindo. Então quem vai ligar para assunto tão banal como esse sobre uma placa. 
            Tem coisa pior. O cara não se preocupa com o que o político que ele vota faz, vai se preocupar com gente que tem dinheiro e não respeita uma placa? 
            Eu não conheço um pobre que tenha um carrão tipo um caminhão ou uma carreta. Na verdade nem carro pequeno. Então, talvez, seja uma placa dos ricos. 
            Sempre que tenho de passar pelas placas sinto inveja de quem tem um Baú, uma Carreta ou um Caminhão. As coisas proibidas(no caso as erradas) são sempre muito mais gostosas.

*Fábio Roberto Soares Mota é estudante de Matemática da Univima, mora em Barra do Corda.

(TB
16jun2010/nº25)

 

 

Artigo
Vamos celebrar nossa justiça
jornal Turma da Barra

*Fábio Mota


            Em Barra do Corda já começou a temporada de caça aos condutores de veículos irregulares, aqueles que andam sem habilitação e sem a documentação do veículo paga. São as blitz que começam a atacar. Está na lei, para dirigir é preciso ter carteira de motorista.
            Os problemas são os paradoxos, as contradições ou a relatividade. Veja só, se você é um cordino mototáxi que ainda não conseguiu pagar todas as prestações de sua moto e precisa trabalhar para sustentar a sua família, ela (a justiça) vai te enxergar, acredite. Vai te parar na rua e exigir seu dever.
            Mas se você é um cordino que vende CDs ou DVDs piratas nas calçadas do centro da cidade, pode ficar tranqüilo que ninguém vai mexer com a sua pessoa. Não estão preocupados se a pirataria ajuda a financiar o crime organizado. Não dão a mínima se a pirataria dá enorme prejuízo aos cofres públicos.
            Mas se você prestou concurso para a prefeitura da Barra e cansou de esperar o resultado do certame. Se você ficou indignado, sem entender como o mesmo candidato conseguiu ser classificado duas vezes para o mesmo cargo. Como o mesmo candidato conseguiu duas notas. Como o mesmo candidato conseguiu a terceira e também a décima colocação, acredite, pode ficar tranqüilo. Nenhuma autoridade vai te reprimir por isso. Não farão blitz para explicar o que aconteceu. Não vão parar você na rua para lhe explicar como tudo ocorreu.
            Aqui na cidade a preocupação é se alguém está dirigindo sem habilitação, e com a documentação, do carro ou da moto, em atraso. Mas não precisa ficar zangado, você tem o inestimável direito de ficar calado, olha só que bom.
            E antes de passar a impressão de que sou contra as pessoas andarem com seus deveres em dia, digo que não. Mas também não podemos apoiar uma lei relativa. Não sou a favor de uma lei que só serve para alguns, que só beneficia uma minoria.
            A nossa justiça é parecida com a gramática e a nova ortografia. Tem uma regra bonitinha, mas aí vem a desgraçada “exceção” e põe tudo a perder. Veja só, uma determinação irracional, sem sentido, egoísta... Vem e nos aprisiona ao dicionário.
            Por que proto-herdeiro, com “h” e hífen, mas coerdeiro, sem eles? Por que cor de café, cor de bonina sem hífen e cor-de-rosa, com? Por que paraquedas, paraquedista, paratudo, sem hífen, mas para-raios e para-sol, com?
            A conclusão não pode ser outra: para a lei “todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros”. A única coisa boa é que além de barra-cordenses também somos brasileiros, por isso nunca desistimos, por isso ainda acreditamos que alguém, algum dia, nos explicará para quem serve a lei.

*Fábio Roberto Soares Mota é estudante de Matemática da Univima, mora em Barra do Corda.

(TB
2jun2010/nº24)

 

 

Artigo
Renato Russo:
O hino de uma geração

jornal Turma da Barra

*Fábio Mota


            27 de março de 2010. É a data em que Renato Manfredini Júnior, mais conhecido como Renato Russo, completaria 50 anos.
            Um dos maiores compositores do rock pop brasileiro, Renato liderava, escrevia as letras e cantava as músicas da Legião Urbana, a banda que conseguiu, como nenhuma outra, sintetizar o que é viver numa idade confusa, efervescente e que despreza os valores estabelecidos pela sociedade, a adolescência.
            Renato retratou em suas letras tudo que os jovens gostariam de gritar, em tempos de fim de regime militar, principalmente. Mas que, por causa de uma coisa ou de outra, não conseguiam expressar.
            De certa forma, Renato nunca deixou seu espírito adolescente de lado. Digo isso sem um sentido negativo, pois foi essa inquietude que o transformou numa lenda do rock nacional. Nunca conseguiu contentar-se ou ao menos entender esse “mundo doente”, a “estupidez humana” e viveu uma vida intensa.
            Aos 15 anos de idade, enfrentou e venceu uma doença óssea chamada epifisiólise. Em 1982 com a banda Legião Urbana iniciou uma careira de sucesso e posteriormente, em 1996, foi derrotado pela Aids.
            Mas Renato foi muito mais. Seus questionamentos continuam vivos e atuais. Ainda não conseguimos entender, por exemplo, “Que País é Esse”; a humanidade continua desumana; a juventude continua sem escolas, etc.
            Tive uma adolescência em frenesi causado pelas letras e melodias da Legião Urbana e, de uma forma um pouco estranha, sinto grande saudade de tudo que o Renato não pôde escrever. Sei que é esquisito, mas sinto saudades daquilo que ainda não vi, ou ouvi.
            Celebro os 50 anos que Renato faria com imensa saudade. Mas também com alegria por conhecer sua obra, alegria por que para mim ele continua muito vivo e presente em suas letras colocando dúvidas sobre diferenças sociais, sexo, droga, paixão...
            Sim, “existe razão nas coisas feitas pelo coração”. Renato é a prova. Pois antes de ser um poeta filósofo, era um ser muito preocupado e autoconscisnte em relação à sociedade. Em suas letras, entrevistas, ele deixa transparecer algo de muito humano, um apaixonado pela vida.
            "Pecado é provocar desejo e depois renunciar." Eu acho que você pecou, Renato. Pois “foi embora cedo demais”.

*Fábio Roberto Soares Mota é estudante de Matemática da Univima, mora em Barra do Corda.

(TB
31mar2010/nº20)

 

 

Artigo
Temos o governo que merecemos
jornal Turma da Barra

*Fábio Mota

         Nesses últimos dias tenho pensado sobre o suposto crescimento ou decrescimento da Barra, a cidade de inabalável alegria. Reflito sobre nossas duras críticas, sempre afinadas, direcionadas aos nossos governantes, que não são santos, claro. De como sempre achamos algo que está faltando, e sempre está, por vezes apenas com o intuito de reclamar. Eu sei, os políticos são responsáveis  por grande parte daquilo que está faltando, mas também, pela minha análise, vejo que o problema não pode ser resumido a esse grande detalhe, o problema é um pouco mais complexo.
         
A convivência com os conterrâneos barra-cordenses tem me mostrado que essa história possui um outro lado, muitas vezes esquecido e deixado de fora das discussões: o povo. Que com sua pureza de intenção, vendendo o voto e pulando carnaval, não deixa de ser igualmente responsável se as coisas não andam como deveriam andar, não concordam? 
         Recentemente, na semana passada para ser mais objetivo, nas propagandas que relembram os carnavais de anos atrás, vi um político dando uma entrevista. No caso era o carnaval de 2001. Então pensei: naquele ano, o cara já ocupava o mesmo cargo que ocupa hoje. Então pensei mais um pouco e me perguntei: o que ele fez para o povo até agora? Bom, como falei isso foi na semana passada. De lá para cá ainda não encontrei resposta plausível para minha pergunta.  
         Mas por outro lado, essa pergunta me trouxe algumas conclusões. Veja bem, se o cara ainda está no poder é porque ele se reelegeu, ou o povo o reelegeu, certo? Se ainda está no poder, é porque está agradando a maioria, não? E se a maioria está feliz, para que mudar! Se eu fizer crítica vão dizer que sou egoísta, que só penso em mim, o que é verdade. 
         Eu, particularmente, não diria que estou feliz com o crescimento da Barra, mas digo que está muito à frente do que o cordino faz por merecer. As escolas que foram e as estão sendo construídas, as ruas limpas, outras que estão sendo asfaltadas, os dois mercados públicos, na Altamira e na Tresidela, etc. Para mim, que não esperava isso, é louvável. 
         A saúde, como citei meses atrás, é triste. O desrespeito com o senhor e senhora da terceira idade, cansados de uma vida de trabalho, é de dar medo. A educação da cidade, assunto de vários artigos no Turma da Barra, não merece nem ser mais comentada, pois já sabemos de sua ineficiência. Temos ainda falta de água, falta de políticas para a conservação dos rios, falta de estradas para os povoados etc. 
         Mas a questão, como falei no início, não é tão simples. Por exemplo, até agora ninguém falou como é a convivência entre professores e alunos. Ninguém comentou os casos onde a mãe insulta o professor por que o filho deixou de fazer o dever de casa. Ainda não se discutiu os casos onde o professor é obrigado a passar o aluno, independente de sua aprovação... É possível existir alguma educação se o professor não pode dar sua aula e ainda é abrigado a aprovar o aluno, apenas para gerar os números das boas estatísticas do governo?  
         E os rios, quem é  que não os preservam? Quem é que joga dentro deles sacos, litros, plásticos...? Eu respondo: o povo. E não adianta tentar me convencer que podemos conscientizar a população. Depois de algumas experiências posso dizer: ninguém conscientiza alguém. Até acho bonita essa idéia, mas não acredito nela. Não mais. 
         Dizem que uma administração pública deve refletir
a vontade do povo. Pois se assim for, a Barra não tem por que reclamar. A vontade do povo esta sendo feita: está tudo pronto para o carnaval. 
         Então o que podemos fazer se o barra-cordense reescreve o passado sem pensar no futuro? Eu, que dificilmente concordo com maioria, posso fazer minha parte. Mas
de que adianta, se a “democracia” favorece sempre a maioria? Então só resta me contentar com a realidade que temos, não? Não que eu pense em deixar de fazer minha parte, mas tenho que louvar aos céus se algo está sendo feito. 
         Barra do Corda têm faculdades presenciais e à distância. Faculdades públicas e privadas. De graça e paga. Para mim, está faltando mais emprenho de todos. Está faltando acordarmos para a educação. Precisamos contribuir investindo mais no ensino, dedicando mais tempo à leitura. Se não buscarmos isso, esperando por políticas que façam isso pela gente, ficaremos toda a nossa vida reclamando, e sempre com o governo que merecemos.

*Fábio Roberto Soares Mota, 26 anos, é estudante de Matemática da Univima, mora em Barra do Corda.

(TB11fev/2010/nº14)