Artigo
Afinal, quem é você?
jornal Turma da Barra

 *Diego Lacerda


            Às vezes eu percebo que nada nesse mundo faz o menor sentido... Simples assim;
            O fato de você mencionar, por exemplo, a uma rede social às quais pessoas se adicionam e escrevem em seus perfis quem elas são e como elas são...
            Será mesmo que cada pessoa é o que ela se descreve?
            Dificílimo saber!...
            Será mesmo que cada pessoa pode se autodescrever, como ela mostra em um perfil de rede social?...
            Dizem que quem se descreve se restringi.
            Mas ao se desviar de uma autodefinição, não estaríamos (nós), nos autoevitando?
            Não estaríamos (nós), arriscando de alguma forma ocultar quem somos?
            Por receio do que outras pessoas possam pensar sobre nós... As pessoas começam a se descrever com músicas, poemas, alguns até muito formoso por sinal, românticos...
            Mas aí, se caso você leitor, seja uma dessas pessoas citadas acima, eu lhe faço a seguinte pergunta:
            - Quer dizer então que é isso mesmo? Você é uma música em seu perfil de página de rede social?
            Digo até mais, você tem começo meio e fim, de fato, mas você é mesmo feito de tantas rimas, que às vezes não acabam nem rimando?
            Você é seriamente estudado para cada tom, nota, harmônica, que for a ser usado, de forma que ao final, saia uma melodia um tanto que perfeita?
            Será mesmo que através desta vasta conexão mundial você me conhecerá? Então agora vocês vêem, existe outro eu, um outro você?
            Sinto muito leitores, mas acho que não!
            Mas então caro leitor, se você não for uma música, você pode vir a ser um poema, certo? Não?!
            Um poema ambulante pode?
            Um poema onde todos que lhe vejam na sua página/perfil, achando que você esteja até se martirizando?
            Bem, se você for um poema daqueles da segunda geração romântica, acho que você precisa de ajuda...
            Caso contrário, bem, com todo respeito a você, até porque eu gosto muito de poemas, mas você, eu, tentando nos autodefinir através de belas palavras não me parece mostrar quem verdadeiramente nós somos.
            Ainda porque, ninguém é tão perfeito, tão belo, tanto quanto os poemas, as músicas que cita, ou quão às frases que conhece...
            Afinal, quem é você?
            E quem sou eu?
            E por que eu resolvi escrever isso?
            Eu lhe respondo leitor com outra pergunta:
            - Por que você perdeu seu tempo querendo saber quem o outro é?

*Diêgo Bruno Lacerda é escritor e poeta, mora em Barra do Corda (MA) 

(TB/19nov/2011 nº03)

 

Poema-Artigo
Elegia barra-cordense
jornal Turma da Barra

 

*Diego Bruno Lacerda

Há poemas em que o poético não se demonstra pelo encantamento linear dos versos, mas pelas as alternativas com que a linguagem consolida na justaposição de palavras na página, na materialidade das próprias palavras que se faz em pedaços e se recompõe. O verso tradicional dá lugar a uma linguagem sintética, dinâmica e o poema transforma-se em objeto visual que pede, simultaneamente, para ser lido e visto. Vejamos o poema abaixo retirado da seguinte frase: Água Rara em Caema Suja, Falta Tanto Até Que Dura!

águararacaemasuja
águaáaracaemasuja
águaàgracaemasuja
águaáguacaemasuja
águaàguacaemasuja
águaáguaáaemasuja
águaáguaágemasuja
águaáguaágumasuja
águaáguaáguaasuja
águaáguaáguaádura
águaáguaáguaágura
águaáguaáguaágura
águaáguaáguaáguaa
águaàguaàguaáguaá


O leitor poderia fazer o seguinte comentário: Que esquisito! O cara só repetiu um pedaço da frase “Água Rara em Caema Suja, Falta Tanto Até Que Dura“!

Se transformarmos o pequeno comentário do leitor em pergunta, seria possível retroceder a questão ao leitor: Por que o escritor só usou metade da frase?

Já no primeiro verso, introduz duas modificações à primeira parte da frase: corta a preposição “em” e elimina a segmentação entre as palavras – rara, caema, e suja – perdem letras para dar lugar às letras que fazem parte da palavra água.

Um outro leitor poderia ler e completar o seguinte comentário distinto: “Esse cara ‘viajou’: o nome do poema não tem nada a ver”. Transformando-o novamente em questão: Por que o poema tem esse titulo?

Bom, responder a essa questão exige um pouco de pesquisa, comecemos por elegia.

É um tipo de poema lírico inspirado por algum acontecimento triste. É um gênero de poema melancólico, nostálgico até. Se considerarmos que a falta d’água em Barra do Corda é um problema crônico, e de fato é, poderíamos considerar este o acontecimento triste. E barra-bordense? Para estabelecer a relação do adjetivo com o poema, importa saber que a população de Barra do Corda sofre a anos com a grande falta d’agua, seria aqui cabível este título.

Ao subtrair letras das palavras, ao sugerir no titulo a alongada luta da população de Barra do Corda contra o problema da água, o poema provoca um deslocamento de sentido e faz com que o leitor abandone o sentido figurado, mas automatizado da frase, para retornar o sentido primeiro das palavras “água” e “caema”. E é assim que uma frase um tanto comum se transforma em um poema incomum.

 Poema inspirado no poeta J. P. Paes.

*Diêgo Bruno Lacerda é escritor e poeta, mora em Barra do Corda (MA)

(TB/15out/2011 nº02)

Artigo
Trânsito em Barra do Corda
Por que morrem tantas pessoas?
jornal Turma da Barra

Diego Lacerda, jovem que mora em Barra do Corda, 
amante da filosofia e da literatura, escreve seu primeiro artigo ao TB, 
onde estamos dando às boas-vindas.
Lacerda opina sobre o ‘trânsito de Barra do Corda’, num momento em que a cidade perde tantas vidas. 
Para ele, a rápida transform
ação por que passa a cidade é uma das causas, 
mas acima de tudo ele acha um mistério.
 Leia o artigo 

*Diego Bruno Lacerda

“Considera-se, finalmente, que na trilogia do fenômeno do trânsito, 
a via e o veículo, na categoria de objetos, não podem ser responsabilizados pela situação
tantas vezes caótica do trânsito no Brasil.
É essencial avaliar o fator humano, o qual, dotado de raciocínio, torna-se passível 
de lhe serem imputadas àquelas responsabilidades. 
É nesta linha de pensamento que se coloca o estudo das normas e regras
 sobre o trânsito sob o enfoque da formação de um ‘novo homem’, enfatizando,
 ao mesmo tempo, um novo conceito de cidadania”. (DETRAN)


            Por que morrem tantas pessoas no trânsito de Barra do Corda? Sinceramente não sei. A atual situação urbana de Barra do Corda tem sido marcada por rápidas transformações, a questão do trânsito não foge à regra, a população pode até apontar alguns fatores, mas creio que o ponto chave ainda é um mistério. O certo é que uma série de ações tem que ser tomadas urgentes. Uma Audiência Pública da Câmara Municipal será feita nesta quarta-feira 21, a meu ver tarde demais e ainda acrescento uma pergunta: Por que só agora? Audiência Pública não adianta se não houver ação práticas do dia a dia.
            Com o alto indicador de acidentes andam acontecendo em Barra do Corda, os órgãos responsáveis para fiscalizar o trânsito deixaram as coisas elevar-se além do aceitável. Segundo estatística da PM e SAMU, 44 jovens perderam a vida entre janeiro e setembro deste ano.
            Dessa forma, seria conveniente que os órgãos responsáveis pelo trânsito em nossa cidade fizessem um mapeamento apontando as ruas e avenidas em que há maior número de acidentes. Com o mapeamento poderiam trabalhar em conjunto visando prevenir, acautelar acidentes nesses locais.
            Ruas do centro barra-cordense como Manoel José Salomão, Tiradentes, Irmã Helena, na Tresidela a antiga rua da Feirinha, os semáforos em frente ao Guajajara que ligam Centro, Incra e Tresidela. A curva do Sena ou da morte, Avenida Eliézer Moreira, Avenida JK (Sitio dos Ingleses), enfim...
            E no que diz respeito à Avenida rio Amazonas, no caso de acidentes envolvendo carretas e outros veículos de grande porte, vejo como a única solução pra diminuir acidentes seria a construção de um Anel Viário contornando a cidade. A grande maioria dos veículos de grande porte que entram em Barra do Corda estão apenas de passagem, não há necessidade alguma desses veículos passarem dentro da cidade.
            Somente com trabalho de prevenção é possível baixar esses altos índices de acidentes, que vem se alastrando em nossa cidade, que envolvem principalmente jovens. E uma das soluções é a educaçâo no trânsito, além de importante é essencial.
            Seria talvez a solução para reduzir os altos números de mortes. No entanto, isso seria possível com um trabalho voltado apenas para essa área, uma ação sócio-educativa. Aulas teóricas de legislação no trânsito, podendo ser implantada nas escolas são de suma importância. O novo Código Nacional de Trânsito, em seu capítulo VI, que se refere a “Educação para o Trânsito”, abordam nos artigos 74 a 79 priorizam o trabalho nas escolas como forma preventiva, orientando alunos desde o Ensino Fundamental, Médio e até o Superior.
            Porém, como a educação dar-se em um longo prazo, e não em um curto espaço de tempo, até lá com a colaboração da Ciretran (se não negligenciar o que lhe cabe fazer por dever), Policia Militar, Civil, Ministério Publico, Conselho Tutelar, Escolas, Poder Judiciário, Legislativo e Executivo cada um fazendo a sua parte, dar pra melhorar o trânsito... Ressaltar a importância de uma mudança de conduta no trânsito.
            A população quer e precisa de resultados imediatos para com o trânsito, a vida está sendo tragicamente curta demais para os jovens de Barra do Corda. Como o modelo de trânsito aqui é falido, se é que houve algum tipo de modelo... Se nada for feito dias fatídicos ainda virão. Civilizar o trânsito seria esse o fim do enigma!

*Diêgo Bruno Lacerda, 26 anos, é escritor, mora em Barra do Corda (MA)

(TB/21set/2011)