jornal Turma da Barra
Coluna do Cezar Braga

nº 315, segunda-feira, 8 de março de 2010

A morte
jornal Turma da Barra


            Tinha lido a crônica e a poesia do Urias, um pouco antes de sua publicação no TB. Coisas de irmão-amigo com diferença de idades de exatamente 50 anos e 3 dias, nem mais, nem menos.
            Os homens, desde a mais remota época, sempre tiveram curiosidades sobre os mistérios da vida, da morte, do ato de nascer e do de morrer.
            Desde aquelas épocas até o hoje, o homem tentando compreendê-los, tentando desvendá-los, se apega à teoria que mais lhe identifica, seja ela religiosa, científica, histórica ou mitológica.
            O medo da morte, se não é inato, é introjetado desde a infância, em todos os seres humanos.
            O medo da morte, dependendo do nível de ansiedade da pessoa, pode se tornar aterrorizante, dependendo da maturidade psicológica ou do envolvimento religiosos, filosófico, pode se tornar menos intenso.
            O medo da morte faz pessoas ficar tentando, o tempo todo, “levar vantagem” sobre ela.
            Daí o uso desenfreado da tecnologia – cosméticos mágicos, cirurgias rejuvenescedoras, etc., mas como questiona o Urias: “...será que aproveitamos bem o que a(esta) longevidade nos proporciona? (O grifo é meu).
            Muitos evitam falar da morte, como tipo de defesa, de evitar sofrimentos antecipados.
            Mas,mesmo com todos estes aparatos, com medos, sem medos, a dama negra, com foice e veu negro continua lá, nos espreitando em todas as direções.
            A morte é uma realidade, e uma realidade diária, morremos um pouco todo dia, e isso é imutável, ela é certa e inexorável.. 
            O que fazer? Eu digo, façam como eu e o Urias, vivamos a vida, mas a vivamos com intensidade, alegria, aproveitando todos os momentos que ela nos oferece, o aconchego do lar, as farras, os amores proibidos, as oportunidades perdidas, as vitórias alcançadas, as derrotas assimiladas.
            Sempre fui aficionado por cinema, ao ponto de aos 13 anos, nos anos 60, quando era obrigado o uso de terno para assistir filmes no luxuoso Cine São Luis, em Fortaleza, usar calça curta, as bermudas são coisas de alguns anos depois, pois às crianças era dispensado o uso do paletó, e para provar ser criança bastava estar de calças curtas. Mais ainda, fiquei longas horas na fila para assistir o file “Marcelinho, pão e vinho”. Pode?
            Pois bem, tem uma passagem no filme “Vivendo na Eternidade”, em que um dos personagens tenta explicar o que sente por não fazer parte do ciclo normal da vida: - “ Não tenho medo da morte. Tenho medo da “vida não vivida”. Você não precisa viver para sempre. Você só precisa viver”.
            Sêneca disse: “Deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que tu, talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer”, e o grande poeta Mario Quintana não deixa por menos, quando disse: “Morrer: que me importa? O diabo é deixar de viver!“
            O Urias, na poesia, mostra a alegria de viver, até na morte, quando em vez de uma mulher com foice, deseja para esta hora certa, uma mulher bonita, com um “riso dissimulado”... Ah! Estas poetas!
            Pois é poeta, com esta alegria de viver, vou rumo aos noventa, e fico, muito feliz, 3 dias esperando você comemorar os quarenta.

*Cezar Braga é presidente da Arcádia Barra-Cordense (ABC)

 

 

jornal Turma da Barra
Coluna do Cezar Braga

nº 314, segunda-feira, 1º de março de 2010

Sessenta anos
jornal Turma da Barra


            Chego aos sessenta anos nesta terça-feira, 2 de março de 2010.
            Chego aos sessenta, como todos que aqui chegaram, fomos criança, adolescente, adulto com vinte e dois, vinte e nove, trinta e cinco, trinta e sete, quarenta, cinquenta anos e, agora descubro que, ainda não vivi tudo quero, que, ainda sou um menino, com uma vida toda pela frente.
            Pode parecer esnobismo, mas não é, não é não.
            Sinto-me perfeitamente e inteiramente integrado às novas realidades, a este mundo informatizado, a este mundo bem diferente do mundo em que vivi minha primeira infância.
            Sabe-se hoje que a expectativa de vida dos homens vem aumentando e que os sexagenários já não são vistos como velhos aposentados, que não produzem nada e que ficam simplesmente jogando baralho, dominó nas praças ou esquinas da vida.
            Essa sensação de que sessenta anos não combina com minha relação de tempo-espaço parece loucura, mas é assim que me sinto e, afinal, chegar aos sessenta é mesmo uma loucura, uma boa loucura, é claro.
            Nos meus sessenta anos, sinto-me motivado e talvez isso faça a diferença. Procuro manter minha auto-estima elevada e, acompanhar o ritmo de vida dos mais novos, com moderação, acompanhar a vida dos meus filhos, com moderação, que entram na fase de busca da realização profissional.
            Sinto-me útil, produtivo, respeitado e, acima de tudo, continuo o mesmo, trabalhando muito, para garantir o dinheiro nosso da cada dia, já que dinheiro nunca gostou muito de mim.
            Aliado a este dinamismo, estou escrevendo muito, produzindo bem, tem os momentos de intensas reflexões, de balanço de vida, essas coisas que não me levam a nada, mas que teimam em se deitar e acordar comigo.
            O que fiz na vida durante todo este tempo? Esta é a pergunta mais frequente e a resposta é: quase nada.
            Quase nada, até porque espero fazer muita coisa que não fiz ainda.
            No começo do ano, criei uma expectativa para esse dia, como se estivesse esperando que ele chegasse logo e, então começar o segundo tempo.
            A idade nos ensina a ter mais calma, tanto no que se refere ao entendimento dos outros, às contradições dos homens e do sistema.
            Nos dá também uma responsabilidade maior, já que em nome da idade nos tornamos autoridade em todo e qualquer assunto, autoridade esta que não sei de onde vem, nem quem nos outorga.
            O que eu sei é que os tempos melhoraram. Comparando minha juventude com a de hoje, dos meus filhos, não tenho dúvidas, o mundo melhorou.
            No meu tempo, uma pessoa de sessenta anos era um velho mesmo. Hoje frequentamos os mesmos ambientes, a mesma academia de ginástica, discutimos música, futebol, política e, o que é mais importante, participamos das decisões, somos ouvidos.
            Por falar em ‘meu tempo”, pergunto e qual é meu tempo? O tempo passou?
            Qual o tempo que passou? Este é também meu tempo, na verdade meu segundo tempo, mas meu tempo.
            Enquanto eu viver, produzir, ser útil este será meu tempo. Os meus sonhos, ainda não realizados, continuam sendo meus sonhos e, não duvidem, eu os realizarei.
            E, talvez esta minha determinação em não me abater nas dificuldades, enfrentar desafios com bom humor, realizando sonhos e nunca deixando de sonhar, me faça acreditar no sucesso deste meu segundo tempo.
            E, se alguém vier com esta conversa de velho, respondo lhe dizendo que, velho é quem tem vinte anos mais do que eu.
            Sessenta anos! Vivo!

*Cezar Braga é presidente da Arcádia Barra-Cordense (ABC)

jornal Turma da Barra
Coluna do Cezar Braga

nº 313, segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Carnaval
jornal Turma da Barra

Cezar Braga

         Comecei a escrever minha crônica de segunda de carnaval, no domingo, lá no sítio Paraty, em Barra do Corda mesmo, onde estava desde sexta-feira, para passar o carnaval por lá.
         Liberado pelo editor, guardei o notebook e fui para a folia.
         Passado as festas, tudo volta a ser como antes e a crônica deve ser publicada. Só que antes de concluir a crônica, já iniciada, e que fala sobre o fugaz e o eterno, li algumas opiniões no TB sobre o carnaval em geral e, sobre o da Barra em particular.
         Achei deveras interessante o fato que, mesmo três dels estando no mesmo carnaval, na mesma cidade, dois deles na mesma praça, e um em Brasília, o viram por óticas diferentes.
         O que vem demonstrar que o carnaval é uma festa singular, democrática, de todos, de alguns... Nosso.
         O Yuri destaca que participa da festa quem quer, nada mais demócratico, não acham?
         Mostra um saudosismo nada peculiar a jovens de sua idade, mas que retrata o espírito intelectual, a veia literata que possui. Ressalta, também, um incoformismo, certa rebeldia com as mudanças, coisas tipícas da juventude.
         O Fábio Mota, outro jovem que se inicia muito bem no mundo das letras, embora viva no meio dos números, radicaliza com carnaval e, só o considera menos ruim pelo fato de poder ter 4 a 5 dias, para se dedicar à leitura.
         Não deixa de ter razão no aspecto mercantilista da festa, mas Natal, Pascóa, Dia das Mães, etc, também não tem?
         Quanto a televisão... Bom, televisão é assim mesmo, seja no carnaval e/ou em qualquer outra festa, comemoração, não dá para assistir.
         As meninas de programa ou atriz, não sei não, elas podiam ter ficado fora do texto.
         E, se há um pouco de ditadura, deve ser pouco mesmo, já que ninguém o obrigou a cair na gandaia e, ele pôde ler seus livros sossegado.
         Chega, na sua ojeriza a carnaval, a evocar o grande poeta português Fernando Pessoa, em um dos seus momentos de quietude.
         O Mário, lembra o carnaval na Barra, como momentos de descontração, amizade, lembranças, além da alegria monesca. Um carnaval amigo, como há muito tempo acontece na nossa querida cidade, são pessoas que aproveitam o período mais longo para visitar parentes, amigos, pôr a conversa em dia, apreciar as belezas que a cidade oferece, constatar a inércia em alguns setores, e, já que ninguém
é de ferro, extravassar a energia, brincando em algum bloco, ou até mesmo, só fotografando, olhando a folia.
         O Renilton, que está  de parabéns pelas 100 crônicas, e, diga-se “em passant”, de boa qualidade, faz um estudo sobre o que é o carnaval, suas mazelas, seus exegeros, que infelizmente acontecem.
         Ressalta que o feriado é longo e, meio desnecessário, mas que sempre curte o período, descansando em um lugar tranquilo, aprazível, já que os dias de folga permite.
         Todos tem razão. O carnaval é, realmente, uma festa democrática , pois mesmo discordando em algum ponto, todos a comemoram como querem, uns lendo, alguns descansando, outros brincando muito, alguns outros apreciando a folia dos outros, tem os que ganham algum dinheiro, tem muitos que perdem até o da volta para casa.
         Portanto, até as opiniões, democraticamente, não devem ser, e não são iguais.
         Eu, fico com o poeta pernambucano Manoel Bandeira, que em seus poemas sobre o tema, deixa claro que o carnaval é um baile e, não um lugar para refletir sobre a realidade brasileira, é um momento de alegria e euforia em que:

Ninguém se lembra de política...
Nem dos oito mil quilômetros de costa...
O algodão do Seridó  é o melhor do mundo? ...
O que importa?

*Cezar Braga é presidente da Arcádia Barra-Cordense (ABC)

jornal Turma da Barra
Coluna do Cezar Braga

nº 312, segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sábado magro de carnaval,
gordo de alegrias

jornal Turma da Barra

Cezar Braga

         Sábado magro de carnaval, como é denominado o sábado que antecede o carnaval, foi repleto de alegrias, reencontros, descontração, reminiscências e, de um pouco de nostalgia.
         Em encontro inédito, idealizado pelo Heider Moraes, do TB e o Gilson Pacheco, uma prévia de como será o carnaval em Barra do Corda, foi ensaiada no Bar Malibu, do boa praça Gilvan, conhecido de outros carnavais, dos barracordenses de Brasília.
         Com uma bandinha a tocar as velhas e tradicionais das marchinhas carnavalescas, que continuam a animar foliões de todas as idades, os blocos “Não é de sua conta”, que sempre nos traz à lembrança a figura querida do Professor Raimundo José, “Os Cachacinhas”, que une há dez anos a família Ferreira e amigos, lembrando a figura alegre do Toinho Cachacinha e “Os Capelobos”, que une todas as alas, blocos e simpatizantes do carnaval barracordense, em um périplo que lembra a festa do reizado, ditaram o reencontro de amigos, famílias, gerações com descontração e muita alegria.
         Entrançando entre as mesas, conversando com os amigos, rindo sozinho ao ouvir “Bandeira Branca”, que lembra muito meu pai e, já sabendo que depois dela a bandinha tocaria “As pastorinhas”. Não deu outra!
         A festa de ontem me trouxe à lembrança, por ter muitas semelhanças, com as festas de outrora, onde as famílias se reuniam nos
salões e, junto com outras famílias se esbaldavam.
         Quer fosse na AABB, em Quixadá, que reinava sozinha nas cidades do interior do Brasil, no início dos anos 60, com as músicas “Me dá um dinheirinho aí”, “Naquela base”; em 1966, 1967, nos salões do Naútico, em Fortaleza, ouvindo Zé Keti, “Máscara negra” , entre outras.
         Nos anos oitenta, a festa era na Maçonaria, onde as marchinhas famosas eram executadas pelo conjunto “Os populares do ritmo”, que levava alegria às famílias barracordenses e ali, amizades se consolidavam, o reencontro era comemorado, as lembranças ficavam mais vivas e a alegria era incomensurável.
         Sábado, no Malibu, todos estes sentimentos se renovaram, os salões da minha memória se materializaram e, tive a certeza que o carnaval de 2010 será marcante.
Bom carnaval a todos e ...Deixo a memória dos leitores viajar ao encontro de outras boas músicas.
         Para finalizar, a música que fiz para comemorar os dez anos do bloco “Os cachacinhas”:

DEZ ANOS DE ALEGRIA

Sábado de carnaval
Faça chuva ou sol, raios e trovão
Junto com o rio corda, TRIUNFAL
VEM OS CACHACINHAS TRANSBORDANDO EM EMOÇÃO

REFRÃO
PODE CHOVER, EH, EH PODE MOLHAR
OS CACHACINHAS VÃO COMEMORAR
PODE CHOVER, EH, EH PODE MOLHAR
O NOSSO BLOCO VAI NA BARRA DESFILAR

DEZ ANOS DE HISTÓRIA,
CHEIOS DE LUTAS E VITÓRIAS
COM OS AMIGOS EM FESTA
PARA NOSSA ALEGRIA EXTERNAR

A MÚSICA ESTÁ  NO AR
AS FAMÍLIAS NAS CALÇADAS
COMEÇAM A ACENAR
NAS RUAS A ENERGIA DOS FOLIÕES
VAI LEVANDO ALEGRIA AOS BORBOTÕES 

REFRÃO
NOS CACHACINHAS É TUDO ALEGRIA
PASSA LONGE A TRISTEZA
EM SEU LUGAR
SAMBA, GRAÇA E BELEZA

*Cezar Braga é presidente da Arcádia Barra-Cordense (ABC)

 

jornal Turma da Barra
Coluna do Cezar Braga

nº 299, segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Barra do Corda:
Cidade sem memória
jornal Turma da Barra

 

 

            Parafraseando o mestre Ruy Barbosa: “Um país sem memória não é apenas um país sem passado. É um país sem futuro”.
            Assim é minha cidade. Barra do Corda tem uma sociedade desmemoriada.
            E isso é muito ruim, pois o passado de uma cidade é sempre construído no presente, uma cidade vive na memória de seus habitantes e visitantes, quando ela provoca lembranças. Uma cidade quando desfaz de seu passado, é uma cidade perdida no tempo, sem memória, sem vida, sem referência, e o que é pior, acaba comprometendo seu futuro.
            Murilo Mendes, disse que: "A memória é a construção do futuro, mas que do presente".
            Recentemente, mas precisamente em 20 de outubro, o grande poeta barra-cordense Olímpio Cruz, se vivo fosse, estaria completando 100 anos de nascimento.
            A Academia Barra-Cordense de Letras fez uma singela, mas sincera homenagem a um dos seus mais ilustres filhos, autor da Canção Cordina, que é a mais completa declaração de amor a uma cidade.
            Sem aquela homenagem da ABL, a lembrança do insigne literato teria passado despercebida dos cordinos.
            Será que seria demais pedir para que haja mais respeito pelo acervo da nossa memória cultural? Cadê o povo de Barra do Corda sem memória? Cadê as lideranças políticas de Barra do Corda? Sei não.
            A falta de memória é um dos fatores de atraso da nossa sociedade. Sem a memória da cidade, não poderemos jamais criar a nossa identidade.
            Reclamos sempre que nosso povo não sabe votar e sabem por que não sabemos escolher nossos dirigentes? Pela falta de memória.
            A corrupção que grassa no serviço público, as drogas que acabam nossa juventude, a fome, a violência, dentre outras mazelas sociais que poderiam ser evitadas se olhássemos para trás, estudando nosso país, nossa cidade e sua história.
            Barra do Corda se ressente de memória, esquece muito rapidamente seus filhos ilustres, suas raízes, seu acervo arquitetônico, que a Prefeitura e seus mandatários em vez de incentivar sua manutenção, ajuda a destruir, enfim esquece sua história.
            Nunca foi outorgado um Título de Cidadão de Barra do Corda a Idaspe Perdigão, homem público, polêmico e que participou ativamente da vida cultural, política e econômica de nossa cidade, em compensação se outorgam títulos de cidadania da cidade a ilustres desconhecidos, que nada fizeram pelo bem, pela história da Princesa do Sertão.
            Onde estão as homenagens, que deveriam ser perpétuas a Galeno Brandes, político e antes de tudo, o maior educador de Barra do Corda, que em vida ensinou não só as letras, a matemática, mas principalmente ensinou a toda uma geração como conviver em paz, com civilidade e altivez, com parceiros e antagonistas, que procurou, como historiador, a manter viva a memória da cidade. Seu livro, antológico, deveria ser lido nas salas de aula, como forma de se ensinar a história da cidade.
            Quem, a não ser a família, rende homenagens a homens como Leandro Cláudio Silva, ao Professor Raimundo José, ao, também professor João Pedro, Sidney Milhomem, e tantos outros que ajudaram a construir a história da cidade.
            A memória nos remete ao passado. A memória é algo bem diferente do, mas ajuda a compô-lo.
            A memória é o único caminho para se conhecer o passado, porque toda nossa consciência do passado está fundada na memória.
            Através das lembranças recuperamos acontecimentos anteriores, distinguimos o ontem do hoje. Ao saber fazer essa distinção o homem terá o seu sentido de identidade conferido. Ao conhecer o passado nos ligamos aos homens que viveram antes de nós, construindo uma noção de continuidade cultural.
            O trabalho do Álvaro Braga é de uma importância enorme e precisa de apoio incondicional. Não se realiza um trabalho da dimensão do trabalho do Álvaro só com boa vontade e tapinhas na costas.
            A minha, a nossa indignação pela insensibilidade dos políticos, que lembram dos fatos, quando lembram, da tribuna da Assembléia, longe dos seus e para aparecer na mídia, de nada adianta se ficar, apenas, registrada em crônicas, em manifestos, em apartes. Nossa indignação nada vale, sem a ação.
            Vamos apoiar o IHGBC (Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda), para podermos resgatar a memória de Barra do Corda, vamos deixar de lado o diletantismo e partir para a ação.
            Podemos, a princípio, nos engajarmos para dar sustentabilidade ao trabalho do Álvaro, promovermos palestras nos colégios, para as crianças do ensino fundamental, narrando a história de Barra do Corda, fazendo-as conhecer as figuras ilustres, na literatura, na economia, nas artes, de maneira a despertar nelas o amor e a admiração pelos nossos antepassados.
            Contem comigo. Irei à cata de financiamentos, pois não se mete numa empreitada desta só com lenço e documento e as mãos no bolso.
            Façamos a programação junto a professores, diretores de escola, não é necessário depender dos órgãos públicos, temos professores abnegados, dispostos a encampar esta luta.
            Podem contar comigo, também como palestrante, desde que haja na programação palestras nos fins de semana.
            Vamos à luta pelo resgate da nossa memória, cidadania e dignidade.

*Cezar Braga é presidente da Arcádia Barra-Cordense (ABC)